Uma briga de trânsito que teve início na Avenida Efigênio Salles terminou em uma confusão generalizada dentro da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), localizada na Avenida Mário Ypiranga, no bairro Parque Dez de Novembro, zona Centro-Sul de Manaus, nessa sexta-feira (30/1).
Segundo informações preliminares, a discussão teve início após um acidente de trânsito envolvendo um advogado e uma mulher. Vídeos que circulam nas redes sociais registram o momento em que os dois batem boca no trânsito.
Os envolvidos foram para Delegacia da Mulher registrar ocorrência e dentro da unidade policial o clima de tensão se intensificou. Segundo testemunhas, o advogado, inicialmente na condição de autor de violência e ameaça contra a mulher, passou a confrontar a autoridade policial.
O advogado tentado interferir no trabalho dos agentes e proferido ameaças contra a delegada de plantão. A tensão atingiu o ápice quando houve luta corporal entre o advogado e os investigadores da Polícia Civil do Amazonas presentes no local.
Posicionamentos
Em nota oficial, a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB/AM) repudiou veementemente a conduta dos policiais civis, classificando-a como violenta.
“A OAB/AM reafirma que não vai admitir qualquer violação às prerrogativas da advocacia e adotará todas as providências institucionais cabíveis para a apuração dos fatos e responsabilização penal dos investigadores”, diz trecho da nota.
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) também repudiou a conduta desrespeitosa do advogado. Em nota, a polícia informou que o advogado estava na unidade policial por ser investigado por descumprimento de medida protetiva contra sua ex-esposa, em episódio ocorrido nos dias 29 e 30 de janeiro de 2026, na Delegacia da Mulher – Norte/Leste.
“Após ter material desproporcional recusado nos autos, o advogado se exaltou dentro da unidade, perturbando o atendimento de vítimas em situação de vulnerabilidade. Em novo comparecimento, mesmo acompanhado por representantes da OAB, gravou vídeos em voz alta, desrespeitando o ambiente institucional e a privacidade das mulheres presentes. Diante da recusa em se retirar, foi necessário o apoio de policiais civis”.
A nota esclarece ainda que o filho do advogado foi autuado por lesão corporal e resistência ao investir contra um agente.
“Seu filho foi autuado por lesão corporal e resistência ao investir contra um agente, e o advogado responderá por desacato e será investigado por calúnia, após divulgar alegações falsas de agressão, desmentidas por imagens internas e testemunhas”.
A Polícia Civil encerra a nota reafirmando “o respeito ao exercício da advocacia, mas reitera que prerrogativas não se sobrepõem aos deveres de urbanidade, legalidade e respeito, especialmente em um espaço de acolhimento a mulheres vítimas de violência”.