Uma adolescente resgatada de um cativeiro de exploração sexual no bairro Petrópolis, na Zona Sul de Manaus, foi diagnosticada com uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) decorrente dos abusos a que era submetida. Os detalhes, revelados pela Polícia Civil do Amazonas, escancaram a gravidade e o impacto físico sofrido por duas jovens, de 15 e 17 anos, que vieram do interior do estado aliciadas pelo esquema clandestino. As informações são do AM Post.
Durante a coletiva de imprensa sobre a operação, a delegada Mayara Magna, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), classificou o cenário como de extrema crueldade. De acordo com as investigações, os encontros eram ofertados na internet por cerca de R$ 150. O lucro financeiro abastecia o principal suspeito de coordenar a rede: um cabo da ativa da Polícia Militar do Amazonas.
"As adolescentes eram anunciadas em um site de prostituição e o valor do programa era, em média, 150 reais. Além disso, o monitoramento das jovens era feito por câmeras instaladas na casa para evitar a produção de provas. A situação era tão grave que uma das meninas contraiu uma IST nesse período", afirmou a delegada.
A estrutura montada na residência alugada contava com tecnologia para blindar o local e inibir a fiscalização. Em vez de manter presença física no imóvel, o administrador da rede criminosa utilizava câmeras de segurança estratégicas para controlar o fluxo de clientes à distância e em tempo real. As orientações para as vítimas eram transmitidas por áudio através dos próprios dispositivos, uma manobra articulada para não deixar mensagens de texto ou rastros digitais que servissem como prova.
Após o resgate, as duas menores foram inseridas na rede de assistência social do Estado do Amazonas. Elas recebem amparo de equipes multidisciplinares, compostas por psicólogos e assistentes sociais, para mitigar os danos emocionais. Na área da saúde, a jovem diagnosticada com a IST recebe atenção médica prioritária em uma unidade da rede pública especializada em infectologia, onde já iniciou o tratamento ambulatorial de urgência.