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Alessandra Campelo cobra justiça por Camila Fritz durante seminário sobre Lei Maria da Penha

Caso da jovem, morta a tiros em Manaus em 2023, voltou a ser cobrado durante evento que marcou os 20 anos da legislação.

Foto: Divulgação

O Seminário 20 Anos da Lei Maria da Penha, realizado nesta terça-feira (11), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), tornou-se também palco de uma forte cobrança por justiça às vítimas de feminicídio. Presidente da Procuradoria Especial da Mulher, a deputada estadual Alessandra Campelo (PSD) dedicou parte de sua manifestação ao caso de Camila Vitória Fritz da Silva, morta a tiros em novembro de 2023, em Manaus. O seminário também contou com a participação da deputada Mayara Dias (PSD), Subprocuradora Especial da Mulher da Casa.

Diante da mãe da vítima, a assistente social Ednelza Fritz, que participava do seminário, Alessandra informou que o julgamento do acusado pelo crime, previsto para o próximo dia 18 de agosto, foi adiado para outubro. A deputada lamentou a mudança e garantiu que a Procuradoria da Mulher continuará acompanhando o processo.

“Por uma manobra jurídica, o julgamento que ia acontecer dia 18 mudou para outubro. A Procuradoria da Mulher está acompanhando esse caso desde a hora que foi informada do crime até hoje, e seguirá acompanhando”, afirmou Alessandra.

A parlamentar interrompeu sua fala para dirigir-se diretamente a Ednelza e homenagear a luta da mãe por justiça pela filha.

“Ednelza, você é uma pessoa corajosa e representa as mulheres porque eu não sei, como mãe, se eu teria força para seguir como você segue forte, lutando por justiça. Quero te agradecer por transformar o teu luto em luta e por inspirar tantas mulheres a lutar por justiça”, declarou.

A manifestação foi seguida por aplausos do público presente no Auditório Belarmino Lins.

O caso Camila FritzCamila Vitória Fritz da Silva foi morta na madrugada de 4 de novembro de 2023, em um condomínio no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus. O principal suspeito apontado à época foi o policial militar Olímpio Gomes Maia, então companheiro da vítima. Segundo informações divulgadas após o crime, Camila foi atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça e morreu no local. O PM foi preso em flagrante e encaminhado ao 6º Distrito Integrado de Polícia.

Informações divulgadas à época também apontaram que Camila pretendia terminar o relacionamento e temia pela própria vida. Uma reportagem registrou relatos de testemunhas sobre discussões anteriores do casal e informou que, pouco antes de morrer, a jovem teria enviado mensagem a uma amiga manifestando medo de ser assassinada.

Camila deixou um filho, que tinha quatro anos na época do crime. Já em novembro de 2023, poucos dias após a morte, Alessandra Campelo havia se pronunciado publicamente sobre o caso e cobrado punição exemplar ao responsável. Na ocasião, a própria Aleam registrou a manifestação da parlamentar e o acompanhamento realizado pela Procuradoria Especial da Mulher.

Agora, quase três anos depois, o caso volta ao centro da atuação da Procuradoria justamente durante uma programação dedicada aos 20 anos da principal legislação brasileira de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher.

20 anos da Lei Maria da PenhaPromovido pela Procuradoria Especial da Mulher da Aleam, o seminário reuniu representantes da rede de proteção, profissionais, lideranças e pessoas envolvidas na promoção e defesa dos direitos das mulheres.

A programação abriu espaço para formação, diálogo e troca de experiências, além de uma reflexão sobre os avanços conquistados ao longo das duas décadas da Lei Maria da Penha e, principalmente, sobre os desafios que ainda persistem para que prevenção, acolhimento, proteção e responsabilização funcionem de maneira efetiva.

Para Alessandra Campelo, casos como o de Camila demonstram que os avanços na legislação precisam estar acompanhados de uma rede cada vez mais integrada e de uma resposta efetiva do Estado diante da violência.

À frente da Procuradoria Especial da Mulher, a deputada mantém entre as prioridades de sua atuação parlamentar o enfrentamento ao feminicídio e às diferentes formas de violência praticadas contra meninas e mulheres no Amazonas.

A presença de Ednelza Fritz no seminário deu dimensão humana ao debate. Ao transformar a perda da filha em uma permanente cobrança por justiça, a mãe de Camila tornou-se, nas palavras de Alessandra, símbolo das famílias que se recusam a permitir que vítimas de feminicídio sejam esquecidas.

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