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“Barco voador” desenvolvido em Manaus quer reduzir viagem até Parintins para 3 horas

Modelo híbrido poderá transportar até 10 passageiros e começar testes com tripulação no fim de 2026.

Foto: Reprodução

Um veículo híbrido desenvolvido por uma startup de Manaus pretende transformar o deslocamento pelos rios da Amazônia. Chamado de Voadeiro ou Volitan, o modelo criado pela AeroRiver foi projetado para fazer o trajeto entre Manaus e Parintins em cerca de três horas, contra as aproximadamente 10 horas de uma viagem convencional de barco.

Com velocidade máxima estimada em 150 km/h, a embarcação voadora poderá transportar até 10 passageiros ou uma tonelada de carga. A previsão é que os primeiros testes com tripulação sejam realizados entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O projeto está em fase avançada de construção. Parte da estrutura é produzida em Manaus e outra parte em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A montagem do primeiro veículo ocorre na capital amazonense.

“Até o final desse ano, a gente já vai estar com o nosso primeiro veículo tripulado. O nosso primeiro já está em construção, em construção avançada”, afirmou o engenheiro eletricista Túlio Duarte, cofundador da AeroRiver.

Como funciona

Apesar de ser chamado de barco voador, o Voadeiro não funciona como uma aeronave convencional. O veículo utiliza o chamado efeito solo, mecanismo que permite o voo em baixa altitude aproveitando o fluxo de ar entre as asas e a superfície da água.

A proposta é que o modelo opere entre dois e cinco metros acima dos rios. Com menor arrasto durante o deslocamento, o veículo consegue alcançar velocidades superiores às de embarcações tradicionais e, ao mesmo tempo, utilizar os próprios rios como áreas de operação, sem depender de aeroportos.

O sistema de propulsão é híbrido, combinando um motor a combustão com motores elétricos auxiliares, utilizados principalmente durante a decolagem.

Segundo a empresa, o consumo estimado fica entre 7 e 8 quilômetros por litro de gasolina comum, índice comparável ao de um automóvel. A startup também afirma que o modelo poderá emitir menos dióxido de carbono do que aeronaves convencionais e embarcações movidas a diesel.

Uso na Amazônia

Além do transporte comercial de passageiros e mercadorias, o projeto prevê aplicações em regiões onde o acesso é dificultado pelas grandes distâncias e pela rede de rios.

Entre as possibilidades estão o deslocamento de equipes médicas e de segurança pública para comunidades isoladas, além do transporte de cargas para áreas de difícil acesso.

A proposta da AeroRiver é utilizar a extensa malha hidrográfica amazônica como infraestrutura natural para um meio de transporte mais rápido, sem a necessidade de pistas ou aeroportos convencionais.

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