Seis produtores de Apuí, no sul do Amazonas, estão entre os 30 finalistas da categoria canéfora do Coffee of the Year 2026, um dos principais concursos de qualidade de café do Brasil. O número é o dobro do registrado em 2025, quando três produtores chegaram à final, e seis vezes maior que o de 2024, quando o município teve um representante. Todos os classificados integram a iniciativa Café Apuí Agroflorestal, desenvolvida pela Amazônia Agroflorestal em parceria com o Idesam.
O desempenho também se repete em outras duas competições nacionais. Na primeira edição do The Best of Canephora Brazil, os cinco finalistas do Amazonas são de Apuí. Já no Florada Premiada 2026, três produtoras da iniciativa disputam a etapa final. Ao todo, são 14 classificações nos três concursos, com produtores presentes em mais de uma competição.
Os resultados estão relacionados ao trabalho de assistência técnica, capacitação e acompanhamento das práticas de produção realizado nas propriedades. A iniciativa incentiva o cultivo em sistemas agroflorestais (SAFs), que combinam o café com árvores nativas e outras espécies agrícolas na mesma área. O modelo contribui para a conservação do solo, a manutenção da umidade, a recuperação de áreas degradadas e a diversificação da produção.
“Esses resultados são fruto de um trabalho contínuo de acompanhamento técnico, capacitação e troca de conhecimentos com os produtores. Ao longo desse processo, buscamos aprimorar cada etapa da produção, desde o manejo dos sistemas agroflorestais até os cuidados com a colheita, a fermentação, a secagem e o armazenamento dos grãos. São práticas que influenciam diretamente a qualidade final do café. Nosso papel é oferecer orientação e ferramentas para que os cafeicultores desenvolvam todo o potencial de suas propriedades. Ver esses produtores entre os finalistas de concursos nacionais demonstra a evolução desse trabalho e, principalmente, a dedicação das famílias que estão à frente da produção”, afirma o diretor de Operações da Amazônia Agroflorestal, Jonatas Machado.
Evolução no Coffee of the Year
Criado em 2012, o Coffee of the Year avalia a qualidade dos cafés brasileiros e busca ampliar a visibilidade das regiões produtoras. Em 2026, foram classificadas 180 amostras, sendo 150 de café arábica e 30 de canéfora. Os cafés selecionados estarão disponíveis para degustação durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte (MG), que reúne produtores, compradores, torrefadores e profissionais do setor.
Os seis finalistas de Apuí são:
- Edivaldo Vicente da Silva – Meu Refúgio;
- Joelma Pereira Alcântara – Sítio Santa Catarina;
- Lorrayne Duarte de Moraes – Sítio Santa Rita;
- Sandra Nunes Ferreira – Fazenda Renascer;
- Vani de Souza – Sítio Santa Catarina;
- Vanilse Cantante de Souza – Sítio Santa Catarina.
O crescimento das classificações acompanha o aprimoramento das práticas adotadas pelos produtores, especialmente no manejo dos cafezais, na seleção dos frutos e nos processos de fermentação, secagem e armazenamento dos grãos.
Apuí também se destaca em outros concursos
Na primeira edição do The Best of Canephora Brazil, os cinco finalistas do Amazonas são produtores de Apuí que participam da iniciativa Café Apuí Agroflorestal. O concurso é dedicado à avaliação da qualidade dos cafés canéfora, e o resultado será anunciado no dia 29 de novembro, em Cacoal (RO).
Os classificados são Everaldo Florêncio da Rosa, do Rancho Vista Alegre; Márcia Brito de Moraes, do Meu Refúgio; Sandra Nunes Ferreira, do Sítio Renascer; Vanilse Constante de Souza, do Sítio Santa Clara; e Viriato Rolf Lemke, do Sítio Orquídeas.
Para Everaldo Florêncio da Rosa, a classificação reconhece o trabalho desenvolvido durante a safra e o apoio recebido ao longo do processo.
“Graças ao apoio do Idesam e da Amazônia Agroflorestal, que acreditaram no nosso trabalho, chegamos à final do The Best of Canephora. Desde o início, formamos uma família e trabalhamos juntos em todas as etapas, inclusive na fermentação, muitas vezes até à noite. Sou muito grato por isso”, destaca o produtor.
Mulheres entre as finalistas do Florada Premiada
Pela primeira vez, três produtoras da iniciativa Café Apuí Agroflorestal chegaram à etapa final do Florada Premiada, concurso promovido pelo Projeto Florada, com apoio do Grupo 3 Corações. A competição reconhece a qualidade dos cafés especiais produzidos por mulheres e valoriza sua participação na cafeicultura brasileira.
As finalistas são Joelma Pereira Alcântara, do Sítio Santa Catarina; Sandra Nunes Ferreira, do Sítio Renascer; e Vanilse de Souza, do Sítio Santa Clara.
A participação de produtoras da iniciativa no concurso não é inédita. Em 2025, Márcia Brito foi campeã regional do Florada Premiada. Neste ano, ela e outras três produtoras, Deguimar Duarte, Kamila Brito e Kelly Viana, ficaram entre as 100 melhores colocadas do ranking.
Os resultados ampliam a presença das mulheres de Apuí em competições nacionais e dão visibilidade ao trabalho desenvolvido por elas nas diferentes etapas da produção de cafés especiais.
Assistência técnica e produção agroflorestal
A iniciativa Café Apuí Agroflorestal reúne ações de assistência técnica, capacitação e acompanhamento dos produtores, conduzidas pela Amazônia Agroflorestal e pelo Idesam, com apoio da Prefeitura de Apuí.
A Amazônia Agroflorestal atua diretamente na cadeia do café e no relacionamento com os produtores. O Idesam contribui para o desenvolvimento dos sistemas produtivos, a assistência técnica e a adoção de práticas agroflorestais. O trabalho envolve a implantação e o acompanhamento dos sistemas de cultivo, além de orientações sobre manejo, colheita e pós-colheita.
Nas propriedades, os produtores aplicam os conhecimentos adquiridos e realizam as melhorias necessárias para alcançar os padrões de qualidade exigidos pelos concursos. A Prefeitura de Apuí também tem tratado a cafeicultura como uma atividade estratégica para o desenvolvimento econômico do município.
Conhecido como a capital amazonense do café, Apuí amplia sua presença em competições nacionais de qualidade. Para as organizações envolvidas, os resultados demonstram o potencial da produção agroflorestal para agregar valor ao café, gerar renda para as famílias produtoras e contribuir para a conservação da floresta.