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Cidade fiscaliza ações de combate aos incêndios na capital e no interior

O governador fiscalizou as medidas adotadas pelos órgãos estaduais diante dos focos de calor e da presença de fumaça

Foto: Divulgação

O governador do Amazonas, Roberto Cidade, esteve na manhã desta quinta-feira (17) na sala de monitoramento do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), em Manaus, para acompanhar as ações de combate aos incêndios na capital e no interior do estado. Durante a visita, o governador fiscalizou o trabalho das equipes e avaliou, junto aos órgãos estaduais, as medidas adotadas para monitorar focos de calor, combater incêndios e reduzir os impactos da fumaça na qualidade do ar.

Roberto Cidade também acompanhou as informações apresentadas pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento ambiental e pela fiscalização. A atuação reúne a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), que trabalham de forma integrada no acompanhamento dos focos de calor, na fiscalização de possíveis infrações ambientais, na prevenção de novas ocorrências e no atendimento aos incêndios.

“Desde abril, quando assumi interinamente o Governo do Amazonas, determinei medidas para enfrentar os efeitos do El Niño e decretei situação de emergência diante do cenário climático. Desde então, estamos acompanhando de perto as iniciativas para minimizar os impactos à população e ao meio ambiente. Neste momento, reforço também o pedido para que a população não faça queimadas. Não ateie fogo, não faça fogueiras e evite qualquer prática que possa provocar novos focos de incêndio. A prevenção é fundamental para reduzir os danos causados pela fumaça e proteger as pessoas e o nosso meio ambiente”, afirmou Roberto Cidade.

O monitoramento realizado pela Sema, a partir de dados de satélite, identificou fontes de calor na Região Metropolitana de Manaus e no leste do Amazonas, incluindo áreas de várzea próximas a municípios do baixo e médio Amazonas.

O combate direto aos incêndios segue sendo realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, com cerca de mil homens e mulheres à frente das ações. O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, reforçou a mobilização das equipes e a importância da participação da população na prevenção.

“Temos quase mil servidores, entre civis e militares, atuando em Manaus e em diversos municípios do interior. Estamos no período mais crítico e é muito importante que a população também participe da prevenção. Não ateie fogo e não faça fogueiras, porque um pequeno foco em um quintal ou sítio pode sair de controle, atingir uma grande área e se transformar em um incêndio, muitas vezes em local de difícil acesso”, ressaltou o comandante.

Em maio deste ano, o Corpo de Bombeiros também iniciou a Operação Amazonas + Verde, com a entrega de 20 novas viaturas, sendo 17 picapes equipadas com kits de combate a incêndio, além de 453 equipamentos multimissão. A operação atua nos eixos de enfrentamento aos ilícitos ambientais, educação ambiental, combate aos incêndios florestais e ampliação da capacidade de resposta operacional.

Entre 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes do CBMAM passou de 11 para 25. O efetivo da corporação também foi ampliado de 692 militares, em 2019, para 1.537, em 2025. Cada novo município com base permanente recebeu uma viatura de combate a incêndio com capacidade para 10 mil litros de água, equipamentos e militares, além do apoio de brigadistas em parceria com as prefeituras.

De acordo com o secretário de Estado do Meio Ambiente, Miqueias Santos, o trabalho envolve ações coordenadas de monitoramento, fiscalização e controle, além das medidas preventivas adotadas para o período de maior risco de queimadas e incêndios florestais.

“Estamos realizando ações integradas de monitoramento, fiscalização e controle entre os órgãos que compõem essa agenda ambiental. O decreto que suspende o uso do fogo vale por 120 dias e é uma medida preventiva para contribuir com a qualidade do ar no nosso estado. Neste momento, o esforço de todos é importante, porque a fumaça não respeita barreiras. Uma queimada em outro município pode, com a ação dos ventos, atingir outras localidades. Por isso, também é fundamental a conscientização da população”, destacou.

Decretos reforçam medidas preventivas

As ações fazem parte das medidas adotadas pelo Estado para o enfrentamento ao período de estiagem. O Decreto Estadual nº 54.274, de 1º de junho de 2026, estabeleceu situação de emergência climática e ambiental em caráter preventivo no Amazonas e determinou, entre outras medidas, a intensificação do monitoramento e da fiscalização pelos órgãos ambientais.

Durante o período de emergência, as autorizações para o uso controlado do fogo ficam sujeitas às restrições estabelecidas para o período, incluindo a possibilidade de suspensão ou negativa das autorizações de queima controlada.

Já no dia 9 de setembro, o Estado adotou uma nova medida preventiva, com a proibição do uso do fogo em todo o Amazonas pelo prazo de 120 dias. A determinação veda o emprego do fogo para limpeza, renovação e manejo de áreas, eliminação de resíduos de vegetação e outras finalidades agrossilvipastoris, inclusive técnicas de queima controlada.

O descumprimento da proibição pode resultar em sanções administrativas previstas na legislação ambiental, sem prejuízo das responsabilidades civil e penal. As medidas consideram projeções climáticas que indicam precipitações abaixo da média histórica e temperaturas acima da média em grande parte do Amazonas entre agosto e outubro de 2026, cenário agravado pelo fortalecimento do fenômeno El Niño.

Monitoramento e fiscalização

O Ipaam intensificou o monitoramento e a fiscalização de possíveis ocorrências relacionadas ao uso irregular do fogo e ao desmatamento. As equipes atuam por meio da Operação Região Metropolitana e da Operação Tamoiotatá, no sul do Amazonas, verificando áreas identificadas pelo monitoramento e apurando possíveis infrações ambientais.

O trabalho inclui o cruzamento de dados de focos de calor com informações meteorológicas, como direção e velocidade dos ventos, permitindo acompanhar a movimentação da fumaça e direcionar as equipes para áreas que precisam ser verificadas em campo. Entre as ferramentas utilizadas estão o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), e a plataforma Windy, utilizada para acompanhar condições meteorológicas e a circulação dos ventos.

Atualmente, o monitoramento aponta ocorrências de focos de calor em áreas da Região Metropolitana de Manaus, que estão sendo acompanhadas pelas equipes de fiscalização. O órgão também verifica possíveis ocorrências de desmatamento, uma vez que o fogo pode ser utilizado como uma das etapas após a retirada da vegetação.

Segundo o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, as equipes permanecem em campo tanto na Região Metropolitana quanto no sul do estado.

“Estamos com uma equipe na Região Metropolitana, onde há incidência de focos, e também no sul do Amazonas, por meio da Operação Tamoiotatá. Vamos intensificar essa atuação para combater de forma cada vez mais precisa e responsabilizar aqueles que estiverem cometendo infrações ambientais e contribuindo para a poluição do ar. Fazemos esse acompanhamento por meio de dados de satélite e seguimos atuando de forma integrada com os demais órgãos”, afirmou.

A partir das informações obtidas pelo monitoramento, as equipes são direcionadas para a fiscalização em campo. Quando constatada uma infração, o Ipaam pode aplicar multas, embargar áreas e adotar outras medidas administrativas. A identificação dos responsáveis ocorre durante a apuração, considerando que o proprietário da área nem sempre é o autor do uso irregular do fogo.

Denúncias de possíveis infrações ambientais podem ser encaminhadas ao Ipaam pelo WhatsApp (92) 98557-9454. Em casos de incêndio que necessitem de combate imediato, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193.

Qualidade do ar e cuidados com a saúde

O Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (Cemoa) apontou média de aproximadamente 38 a 40 µg/m³ de material particulado fino (PM2,5) nas últimas 24 horas em Manaus, indicando qualidade do ar moderada em decorrência dos focos de queimadas no estado.

Diante das condições registradas, o Cemoa emitiu dois alertas nesta quinta-feira. O primeiro abrange Manaus e diversos municípios do Amazonas onde a qualidade do ar está em nível moderado. O segundo aponta situação mais crítica em Itacoatiara, Itapiranga e Urucurituba, onde as concentrações de PM2,5 ultrapassaram 50 µg/m³, atingindo nível ruim. Os avisos são válidos até a manhã desta sexta-feira (18/09).

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) orienta a população a reduzir ou evitar atividades físicas e a permanência prolongada em ambientes externos enquanto houver fumaça. Sempre que possível, a recomendação é permanecer em ambientes fechados, manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de fumaça e utilizar máscara adequada quando houver necessidade de exposição.

“A primeira orientação é evitar a exposição à fumaça e ter atenção especial com as faixas etárias de maior risco, principalmente idosos e crianças, especialmente os recém-nascidos. Diante de sintomas como coceira na garganta, falta de ar ou palpitação, temos hoje o Saúde AM Digital, onde, em questão de minutos, a pessoa consegue acesso a um médico e recebe orientação para avaliar se o quadro necessita de maior atenção. Se o sintoma for mais intenso, temos unidades de saúde em todas as regiões, que já estão orientadas para atender a população”, informou o secretário de Estado de Saúde, Luis Alberto Saraiva.

Em situações de maior gravidade, como falta de ar intensa, dificuldade para respirar, dor ou aperto no peito, lábios arroxeados, confusão mental ou perda de consciência, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de urgência e emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.

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