O candidato ao Governo do Amazonas David Almeida (Avante) questionou os resultados de pesquisas eleitorais divulgadas durante a campanha e afirmou que os levantamentos podem não refletir o cenário que encontra nas ruas. Segundo ele, a disputa pelo Governo do Estado tende a ser mais equilibrada do que apontam algumas pesquisas.
A declaração foi dada na manhã desta terça-feira (1º), durante entrevista ao Grupo dos Seis, formado pelos portais ATUAL, BNC Amazonas, Portal Único, Portal do Marcos Santos, Portal Mário Adolfo e Blog do Hiel Levy.
David afirmou que a diferença entre os quatro principais candidatos deve ser menor do que a registrada em determinados levantamentos.
“Essa eleição, do primeiro ao quarto colocado, a diferença não vai ser de 6 a 9 pontos percentuais. Qualquer pesquisa que vocês vejam sendo publicada é passível de ser questionada”, afirmou.
O ex-prefeito de Manaus também contestou os índices de rejeição atribuídos a ele. David disse que não identifica, durante as agendas de campanha, a resistência indicada pelas pesquisas.
“Eu fico procurando essa rejeição porque eu sou o candidato que mais sai em rua. Ontem fiquei 1 hora e meia, caminhei 3 quilômetros no Santa Etelvina, tomei café no Jardim dos Barés, e não encontro isso”, declarou.
Estratégia pode mudar
Ao ser questionado sobre a possibilidade de alterar sua postura na campanha, David afirmou que os números de pesquisas internas serão determinantes para definir os próximos passos.
Segundo o candidato, a estratégia poderá ser ajustada caso os levantamentos realizados por sua equipe apontem um cenário diferente daquele que ele considera estar sendo apresentado publicamente.
“Se meus números me mostrarem coisas diferentes, a gente desvia o foco naturalmente”, disse.
A declaração ocorreu durante uma pergunta sobre sua relação com o senador Omar Aziz (PSD), que também disputa o Governo do Amazonas. David voltou a defender que Omar permaneça no Senado, onde, segundo ele, pode contribuir para o estado na articulação em Brasília. “Eu continuo advogando que o Omar é importante, mas lá em Brasília”, afirmou.
Para David, a atual posição dos candidatos ainda não representa necessariamente o resultado das urnas. “Quem está em primeiro pode estar em quarto, quem está em quarto pode estar em primeiro”, declarou.
Capital e interior
David também avaliou que a eleição deste ano deverá apresentar uma divisão mais equilibrada entre os votos de Manaus e do interior.
O candidato atribuiu parte dessa mudança ao crescimento das redes sociais, que, segundo ele, aproximaram o eleitor dos municípios do debate político realizado na capital.
“Hoje a rede social aproximou muito o eleitor. O eleitor do interior visita a capital Manaus, e hoje a diferença de votos já não é tão grande: 53% na capital, 47% no interior. Essa eleição vai ser totalmente dividida. Os votos de Manaus, a influência de Manaus vai repercutir no interior”, afirmou.
Ao fazer uma avaliação do cenário estadual, David criticou a atual administração e afirmou que o Amazonas precisa evitar, segundo ele, novas experiências políticas que considera malsucedidas.
“A incompetência, aliada à corrupção, fizeram o Amazonas andar para trás”, declarou.
Em outro momento, afirmou que “o Amazonas não aguenta mais uma aventura política” e que a escolha do próximo governador exige responsabilidade do eleitor.
Críticas a Wilson Lima e Roberto Cidade
David também voltou a criticar o ex-governador Wilson Lima e o governador Roberto Cidade durante a entrevista.
Ao falar sobre Wilson, o candidato lembrou que o apoiou na eleição de 2022 e afirmou que a aliança teve como objetivo viabilizar investimentos para Manaus.
Segundo David, cinco convênios foram firmados entre o governo estadual e a Prefeitura de Manaus, mas não teriam sido cumpridos integralmente. O ex-prefeito afirmou que o município precisou utilizar recursos próprios para concluir obras.
“O meu apoio ao Wilson em 2022 se deu em circunstância de ajudar Manaus. Firmamos cinco convênios. Se eu fosse depender do Wilson, o Complexo Viário Rei Pelé não teria saído”, disse.
Entre as obras citadas por David estão o Complexo Viário Rei Pelé, o Parque Amazonino Mendes, o Viaduto José Fernandes e o programa Asfalto Manaus.
“Com relação ao Wilson, eu fiz acordos por Manaus, e ele falhou com Manaus, traiu a confiança do eleitor de Manaus, traiu a minha confiança como apoiador dele. Eu tive que distratar todos os convênios e tive que concluir as obras com dinheiro da prefeitura”, afirmou.
David também direcionou críticas a Roberto Cidade e declarou que os dois adversários não estariam preparados para exercer os cargos que ocupam.
“Roberto e Wilson não estão à altura do cargo que exercem”, afirmou.
Rompimento com Tadeu de Souza
O candidato ainda comentou o rompimento político com Tadeu de Souza, que foi seu vice-governador e deixou o cargo para disputar uma vaga de deputado federal.
David criticou a decisão e apontou o que considera uma contradição na mudança de projeto político.
“Olha o contrassenso. Quer dizer que eu renuncio ao cargo de governador onde eu posso resolver os problemas do estado para ser candidato a deputado federal e eu saio por aí agora dizendo que eu quero resolver os problemas do estado. É um contrassenso muito grande”, afirmou.
Apesar do rompimento, David disse não estar preocupado com a situação.
“Se estivesse comigo, estaria bem. Se não está, eu sigo meu caminho e vamos ganhar a eleição do mesmo jeito”, declarou.
Senado
Na disputa pelas duas vagas ao Senado, David reconheceu a atuação de Plínio Valério (PSDB) em favor de Manaus. Ele citou emendas destinadas a obras de recapeamento e reformas de unidades básicas de saúde.
Apesar dos elogios, afirmou que não pretende fazer campanha para Plínio nem para Eduardo Braga (MDB), devido às alianças dos dois com grupos adversários na disputa pelo governo estadual.
“Eu vou votar neles, mas fazer campanha e pedir voto fica muito distante”, disse.
Relação com Lula e Bolsonaro
David também falou sobre sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato afirmou que manteve uma postura institucional com os dois, mas avaliou que Lula foi mais efetivo na liberação de recursos e ações para Manaus.
“Do ponto de vista efetivo de ajudas para Manaus, o presidente Lula foi muito mais efetivo. Isso é fato”, afirmou.
Apesar da avaliação, David declarou apoio ao candidato presidencial de seu partido, Augusto Cury. Ele também disse que, caso seja eleito governador, pretende manter diálogo com quem vencer a eleição para a Presidência da República.
“Eu vou procurar o presidente Lula, não tem problema nenhum. Se ganhar o Flávio Bolsonaro, vou procurar o Flávio. Eu acho que vai ganhar o Augusto Cury, vou procurar o Augusto Cury. Independente das minhas preferências pessoais”, declarou.
Segurança pública
Na área da segurança pública, David defendeu o aumento do efetivo policial, investimentos em inteligência e tecnologia e a convocação de candidatos aprovados em concursos.
Ele criticou a quantidade de policiais militares empregada na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em comparação com municípios do interior.
“Existem municípios do interior com 10 mil moradores que têm quatro policiais. A Assembleia num prédio tem 300 PMs”, afirmou.
Como alternativa, propôs que a Aleam crie uma guarda própria e que os policiais aprovados em concurso sejam convocados para reforçar o efetivo estadual.
“Chama os concursados que estão na fila de espera, chama a Assembleia Legislativa, que tem R$ 1 bilhão e meio de orçamento por ano, faz um concurso público, faz uma guarda legislativa”, disse.
David também prometeu endurecer o enfrentamento ao crime organizado caso seja eleito.
“O crime é forte quando o Estado é fraco. O governante é fraco, o crime é forte. Eu governador do Estado do Amazonas, vão fazer gracinha não, irmão. Eu vou pra cima”, afirmou.
O candidato defendeu ainda a criação de uma Guarda Municipal armada e classificou a medida como uma tendência entre capitais brasileiras.
Na área de mobilidade, David defendeu a manutenção definitiva do passe livre estudantil e afirmou que o subsídio ao transporte coletivo continua necessário diante da redução do número de passageiros e do crescimento do uso de aplicativos e motocicletas.
Fonte: Amazonas Atual