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Dito & Feito: GUERRA SANTA

Polêmica com Nossa Senhora Aparecida, a seis dias da eleição, coloca ministros do STF, evangélicos e católicos em rota de colisão; Flavio acusa, CNBB se defende; Lula cresce e Flávio cai

Charge de Mário Adolfo

Com os bolsonaristas, nem Nossa Senhora tem paz. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido do humorista Antônio Tabet para restaurar uma postagem no X sobre Nossa Senhora Aparecida, que havia sido removida por decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

O humorista veiculou uma foto de imagem religiosa com a legenda: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.

— A mensagem não trazia o nome de Flávio Bolsonaro ou de qualquer familiar –, ponderou Dino.

Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral com a alegação de que o fato era “inverídico” e trazia “discurso de ódio e imputação de crime”. O pedido obteve decisão liminar de André Mendonça no TSE para a retirada da postagem e de conteúdos semelhantes sob pena de multa diária de R$ 30 mil. 

Durante a semana, surgiram informações de que grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro defendiam a destituição de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil”. O candidato do PL nega.

Diz-me com quem andas...

Flávio nega, mas o problema é que o deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT), que se declara evangélico e aliado da família Bolsonaro, elaborou um projeto de lei que pretendia substituir a expressão "Padroeira do Brasil" por "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos" na lei do feriado de 12 de outubro.

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O parlamentar  propôs alterar a Lei nº 6.802/1980, que consagrou o feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Estado laico

O autor alegou que a mudança adequaria o texto ao princípio do Estado laico, evitando impor um culto religioso a todos os cidadãos brasileiros por via legal. No entanto, o projeto foi rejeitado na comissão competente e arquivado em agosto de 2008.

“Deus odeia culto...

Além disso, outro aliado da família Bolsonaro, o bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja frequentada pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), condena o culto à 'Rainha dos Céus' e seria também um apoiador da ofensiva contra símbolos católicos. 

...à Rainha dos Céus” 

No livro “A Bomba: A verdade pode ser explosiva”, publicado em 2001 pela editora Doxxa', o religioso afirma que “Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”. 

Mendonça promove censura 

A defesa do humorista Tabet alegou que a ordem de Mendonça promovia “censura”.

Dino ponderou que a remoção do conteúdo dependeria de presumir como verdade que “família miliciana” estaria relacionada ao candidato Flávio Bolsonaro. 

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Para o ministro, a ação de Mendonça foi “destituída de motivação e proporcionalidade”. 

Flavio acusa bispos... 

Flávio acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudarem o PT a espalhar a informação falsa de que haveria uma tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. 

...e CNBB reage 

Horas depois, a entidade negou envolvimento e afirmou que "a mentira não se combate com outra mentira".

"A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida", disse Flávio. 

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 "O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB." O candidato não apresentou provas da acusação. 

Sob as bençãos de Aparecida

Alta nas pesquisas: Lula com a imagem de Nossa Senhora Aparecida 

A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28/9) mostra que o presidente Lula teve uma alta na intenção de voto entre católicos e evangélicos, em meio à polêmica sobre o posto de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

Controvérsia   

A controvérsia envolvendo o nome da  santa se instalou após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, feito durante o programa Em Pauta, da GloboNews, e que viralizou nas redes sociais. 

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Maria Cristina afirmou haver "um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos" que estaria "mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira". 

Nem tocou no “Rachadinha” 

No comentário, a jornalista diz que essa reação poderia ter efeito entre eleitores católicos em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição e trava uma disputa apertada com Flávio, segundo as pesquisas.

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Mas é preciso que se diga que, na fala exibida pela Globo, Cristina Fernandes não atribuiu o suposto projeto a Flávio Bolsonaro.  

Soberania e pobreza 

A polêmica ocorre em um momento em que bispos e arcebispos da Igreja Católica defenderam publicamente a soberania nacional e o compromisso com a população mais pobre, posicionamentos próximos dos defendidos por Lula. 

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Ao mesmo tempo, a Igreja Católica reafirmou que não indica candidatos ou partidos. 

Braga foi melhor 

Mais uma vez a experiência pesou frente às câmeras de um debate na televisão.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), candidato à reeleição, foi disparado o vencedor do debate da Rede Amazônica.

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O mais maduro, sensato, tem mais trabalho a mostrar e alguns que já fazem história, como a Reforma Tributária e o compromisso de tirar a BR-319 do atoleiro. 

Farinha do mesmo saco 

Já os senadores Alberto Neto (PL), Wilson Lima (UB) e Plínio Valério (PSDB) mostraram ser “farinha do mesmo saco. Isto é, todos bolsonaristas.

Os três se dizem defensores da Zona Franca de Manaus. 

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Mas, no governo de Bolsonaro (PL) ficaram caladinhos quando o então presidente e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, tentaram acabar com o modelo de desenvolvimento socioeconômico.

Caladinhos com Bolsonaro

Combatem as ONGs, mas no governo do imbroxável ficaram caladinhos quando os garimpos clandestino  tomaram conta da região e das terras indígenas.  

Dados de organizações de monitoramento ambiental e de órgãos oficiais indicam que a atividade clandestina atingiu patamares recordes nesse período catastrófico da história do Brasil.

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Isso foi impulsionado pela redução na fiscalização e pelo discurso político favorável à exploração econômica de áreas preservadas

Tragédia Yanomami

De acordo com dados de plataformas como o MapBiomas, o garimpo ilegal em áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas) cresceu cerca de 90% entre 2019 e 2022.

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O avanço foi histórico em territórios específicos. Na Terra Indígena Yanomami, por exemplo, o monitoramento apontou que a atividade ilegal quase triplicou entre 2020 e 2022. 

Bets vão devolver 1,7 bi...

As bets terão de devolver um valor estimado em R$ 1,7 bilhão a 22,9 milhões de apostadores que têm saldo nas casas de apostas que eram regulamentadas e foram proibidas de funcionar pela medida provisória (MP) assinada pelo presidente Lula, na sexta-feira (25).

...aos apostadores!

Novos aportes estão proibidos desde a publicação da MP. Os consumidores com saldo nas bets têm até 5 de outubro para retirar os valores voluntariamente.

Em seguida, as empresas de apostas terão entre 7 e 8 de outubro para informar aos bancos os saldos remanescentes, por CPF.

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As instituições bancárias terão até 14 de outubro para devolver os valores aos apostadores. 

MPF condenado por má fé 

O juiz federal Anselmo Gonçalves da Silva, da 1ª Vara Federal Cível do Amapá, condenou o Ministério Público Federal (MPF) por litigância de má-fé após nova tentativa de suspender a exploração de petróleo na Margem Equatorial.

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A decisão expõe o embate em torno da reserva estimada em 13 bilhões de barris, localizada a mais de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas.

Perpetuando a miséria 

Para o magistrado, a iniciativa dos procuradores possui forte viés ativista voltado a impedir o empreendimento energético, sob o argumento de proteger comunidades ribeirinhas e pescadores locais. 

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A sentença aponta que a conduta acaba por associar o órgão a correntes que perpetuam a miséria na região norte, onde a pobreza segue muito acima da média nacional — em contraste com o salto econômico registrado pela vizinha Guiana na exploração de reservas similares. 

O barulho é alto 

Pela decisão, o MPF foi condenado ao pagamento de multa equivalente a 5% do valor da causa, que montava a quase R$ 800 milhões. 

ÚLTIMA HORA

E DÁ-LHE LULA! –  Presidente volta a ter probabilidade de reeleição acima de 50%

O presidente Lula entra na última semana de campanha antes do primeiro turno das eleições de 2026 na liderança da corrida presidencial, registrando 39% das intenções de voto no primeiro turno, segundo a pesquisa Quaest/Globo divulgada nesta segunda-feira (28). Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, aparece na sequência, com 34% da preferência do eleitorado. Nas projeções de segundo turno, ambos estão empatados, com 42%.

Segundo a pesquisa, Lula registrou uma melhora consistente em seus índices de aprovação geral.

— Semana passada o saldo negativo do governo era de -6 pontos percentuais. Agora, esse saldo negativo caiu para -3 pontos percentuais. Lula volta a ter probabilidade acima de 50% de reeleição –, diz o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest. 

ORGULHO

Yandra Mawé: a "oncinha do Amazonas"

A menina Yandra Mawé, de 6 anos, conhecida nas redes como a “Oncinha do Amazonas”, gravou um vídeo, em meio ao avanço das queimadas no Amazonas, para pedir ajuda. Moradora da comunidade indígena Sahuapé, na zona rural de Iranduba, Região Metropolitana de Manaus, a garotinha contou que a fumaça já chegou perto de casa e tem dificultado a rotina das famílias.

— A gente não consegue mais respirar direito –, afirmou a menina.

A fala foi publicada justamente quando o estado enfrenta um forte aumento dos focos de fogo. Entre 1º e 22 de setembro, o Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas, 244% a mais que no mesmo período de 2025. Iranduba também teve um incêndio de grandes proporções nesta semana, em uma área de vegetação próxima a Cacau Pirêra.

—  A natureza não precisa da gente, mas nós precisamos dela”, disse Yandra no vídeo. Antes de se despedir com o tradicional “beijo da onça”, ela pediu que as pessoas não queimem lixo e não joguem resíduos nos rios. 

VERGONHA

Uma vez mau caráter....

Sabe o  ex-ministro do Meio Ambiente e deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), aquele do “deixar a boiada?”  Pois é, ele desistiu da disputa pelo Senado depois de receber R$ 3,1 milhões de recursos públicos e gastar R$ 1,76 milhão. Esta é a primeira eleição geral em que o Novo, que tinha como bandeira a recusa ao financiamento público de campanhas, utiliza esse tipo de recurso. Salles recebeu R$ 3,6 milhões dos diretórios nacional e paulista do Novo, sendo R$ 3,1 milhões em recursos públicos. Desse valor, R$ 2,3 milhões vieram do Fundo Partidário e R$ 850 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, chamado de Fundo Eleitoral. A desistência não obriga Salles a devolver o dinheiro público que já foi gasto na campanha. A legislação diz que  a renúncia à candidatura é um direito e a legislação não prevê o ressarcimento dos valores por causa da desistência.

OUTRAS PALAVRAS

"NO COMEÇO PENSEI QUE ESTIVESSE LUTANDO PARA SALVAR SERINGUEIRAS, DEPOIS PENSEI QUE ESTAVA LUTANDO PARA SALVAR A FLORESTA AMAZÔNICA. AGORA, PERCEBO QUE ESTOU LUTANDO PELA HUMANIDADE", Chico Mendes
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