
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atendeu aos interesses políticos de Flávio Bolsonaro e sapecou mais um tarifaço contra o Brasil. O senador, apontado pelo presidente Lula como um dos responsáveis pela ofensiva norte-americana, deve estar feliz da vida.
De acordo com anúncio feito nesta quinta-feira (16) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, o governo norte-americano encerrou a investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas “injustas” e decidiu aplicar tarifas adicionais de 25% sobre grande parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.
A decisão, chancelada por Donald Trump, entrará em vigor no dia 22 de julho.
O governo norte-americano justificou a medida com acusações relacionadas ao Pix, ao acesso ao mercado brasileiro de etanol, às plataformas digitais, à propriedade intelectual, à corrupção e ao desmatamento ilegal.
Na verdade, a investigação misturou assuntos completamente diferentes para justificar uma sobretaxa sobre milhares de produtos brasileiros.
As tarifas deverão atingir setores como máquinas, móveis, calçados, açúcar e etanol. Alguns produtos importantes, como café, carne bovina e componentes de aeronaves, ficaram de fora da nova cobrança.
Os Estados Unidos alegam que as negociações realizadas ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas afirmam que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília.
Marco lastimável
Em nota divulgada após o anúncio, o governo brasileiro repudiou a imposição das tarifas de 25% com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974.
“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável”, diz a nota.
Não há justificativa
Na reação, o governo brasileiro argumentou que “não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”.
Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os Estados Unidos acumularam, nos últimos 15 anos, um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil.
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Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. A alíquota média efetivamente aplicada sobre os produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.
O Pix é “inegociável”

O governo do presidente Lula também classificou como “descabidas” as alegações contra o Pix e afirmou que o sistema é “inegociável”.
Não existe a menor possibilidade de o Brasil acabar com o Pix por exigência de Trump. Atualmente, ele é o principal meio eletrônico de pagamento do país em número de operações, com mais de 170 milhões de usuários.
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Além disso, o Pix tem custos inferiores aos dos cartões e respondeu por mais da metade das transações realizadas no segundo semestre de 2025.
Desmatamento é factoide
Outro argumento que não convence é a acusação de que o Brasil estimula o “desmatamento ilegal”, uma vez que o governo federal afirma ter reduzido em aproximadamente 50% o desmatamento na Amazônia entre 2022 e 2025.
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Em junho, por meio das redes sociais, o presidente Lula reafirmou o compromisso do Brasil com a meta de zerar o desmatamento até 2030.
Não recuaremos
O Brasil não recuará na proteção dos interesses nacionais após os Estados Unidos anunciarem a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A afirmação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em publicação nas redes sociais, Lula tratou a reação ao tarifaço como uma responsabilidade que ultrapassa as divisões políticas.
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— Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e de todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la — disparou o presidente.
Olho por olho
A medida comercial entra em vigor na quarta-feira (22), enquanto o governo brasileiro avalia uma resposta com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
A legislação permite que o governo federal adote contramedidas contra ações comerciais unilaterais de outros países que prejudiquem a economia nacional.
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Na prática, a lei autoriza o Brasil a impor tarifas, suspender benefícios ou adotar outras medidas comerciais como resposta a restrições consideradas injustas.
Suframa cobra empresa

Mais de 100 pessoas procuraram atendimento médico após o vazamento de estireno ocorrido na empresa Innova, no Distrito Industrial de Manaus.
Uma morte chegou a ser associada inicialmente ao episódio, mas a Polícia Civil informou que ainda não existe confirmação de que o óbito tenha sido provocado pela exposição ao produto químico. A causa continua sendo investigada.
Em nota, a Suframa advertiu que a operação segura das instalações é “obrigação da empresa”.
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A autarquia observou ainda que a apuração das causas e das consequências sanitárias, ambientais e trabalhistas deve ser realizada pelos órgãos competentes.
Gás perigoso
As válvulas de segurança de um dos tanques da Innova foram acionadas por volta das 17h, depois que o líquido armazenado apresentou uma elevação anormal de temperatura.
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O gás se espalhou por áreas próximas ao Distrito Industrial, obrigando empresas vizinhas a evacuarem seus funcionários. Algumas escolas da região também suspenderam as aulas.
Garcia quebra o silêncio

Depois de um longo período afastado da política, o empresário Francisco Garcia quebra o silêncio e retorna aos holofotes para lançar a candidatura do neto, Matheus Garcia, a deputado estadual.
A cerimônia será realizada neste sábado (18), às 10h, no Salão dos Espelhos do Atlético Rio Negro Clube.
Longe da política
Chiquinho Garcia se retirou da política nos anos 1990, depois de ocupar os cargos de vice-governador, durante o governo Gilberto Mestrinho, e de deputado federal.
Durante dez anos, dedicou-se à carreira política da filha Rebecca Garcia, que foi eleita deputada federal por dois mandatos.
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Rebecca também chegou a disputar o Governo do Amazonas como candidata a vice na chapa do saudoso Amazonino Mendes.
Herdeiro político
Agora é a vez de Matheus.
O avô e a tia vão entrar de cabeça na campanha para tentar colocar o herdeiro político em uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas.
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Matheus é diretor de Inovação e Sustentabilidade da GBR Componentes, indústria instalada no Polo Industrial de Manaus.
Ele também desenvolve projetos voltados à conscientização ambiental e à recuperação de rios e igarapés.
ÚLTIMA HORA
RETALIAÇÃO — Brasil pode se tornar o segundo país mais atingido pelas tarifas dos Estados Unidos

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre grande parte dos produtos brasileiros, como resultado de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo acusações contra o Pix.
A medida entra em vigor no dia 22 de julho.
Com a nova ofensiva comercial do governo Donald Trump, o Brasil poderá passar a figurar entre os países submetidos às maiores tarifas efetivas pelos Estados Unidos.
Os dados são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert, que compila informações sobre comércio internacional e é mantida pelo St. Gallen Endowment, centro independente de estudos sediado na Suíça.
Atualmente, segundo os cálculos apresentados, o Brasil aparece na 13ª posição entre os países mais tarifados pelos Estados Unidos, com uma tarifa média efetiva de 11,73%.
Com a cobrança adicional de 25%, a projeção é de que a tarifa média efetiva brasileira suba para aproximadamente 14,9%, colocando o Brasil atrás apenas da China.
Confira a projeção:
China: 21,5%
Brasil: 14,9%
Vietnã: 10,8%
Turquia: 10,5%
Tailândia: 10,1%
Coreia do Sul: 9,7%
Japão: 9,3%
Áustria: 8,8%
Indonésia: 8,8%
Suécia: 7,9%
ORGULHO

O jornalista Renato Machado, que morreu nesta quinta-feira (16), aos 83 anos, era tratado carinhosamente pelos companheiros de profissão como “um lorde”, “um homem elegante”, “culto”, “intelectual” e “generoso”.
Considerado um dos nomes mais importantes do telejornalismo brasileiro, ele construiu uma carreira de mais de quatro décadas na TV Globo, onde se destacou como repórter, apresentador, editor e correspondente internacional.
A carreira no jornalismo começou no fim da década de 1960. Renato passou pelo Jornal do Brasil, pela BBC e pela extinta Rede Manchete antes de chegar à TV Globo, onde se tornou um dos principais rostos da informação no país.
Ao longo da carreira, também foi correspondente internacional em Nova York e Londres. Cobriu eleições, negociações políticas e econômicas, além de conflitos como as guerras em Honduras, El Salvador, Nicarágua, Malvinas e no Golfo Pérsico.
VERGONHA

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16) mostra que 51% dos brasileiros concordam mais com a versão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a responsabilidade de Flávio Bolsonaro pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
A vantagem da versão de Lula aumentou em relação ao levantamento anterior. O percentual dos que concordam com o presidente subiu de 47% para 51%, enquanto a parcela favorável ao argumento de Flávio caiu de 35% para 30%.
OUTRAS PALAVRAS

“Não é verdade que as pessoas param de perseguir os sonhos porque envelhecem. Elas envelhecem porque pararam de perseguir os sonhos.” (Gabriel García Márquez)