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Dito & Feito - O que explica a ausência de 33,4 milhões de eleitores?

Vídeo que circula nas redes sociais levanta suspeitas sobre mudanças de locais de votação e inconsistências nos registros de comparecimento. Relatos exigem esclarecimentos, mas ainda não comprovam irregularidades capazes de alterar o resultado eleitoral

Charges de Mário Adolfo

O que aconteceu no primeiro turno das eleições, realizado no último domingo (4), para que mais de 33 milhões de brasileiros deixassem de votar?

A abstenção chegou a 21,08%, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores ausentes. É um número expressivo, que merece análise.

Mas há outro assunto provocando questionamentos nas redes sociais.

Um vídeo divulgado pela Voz Progressista, canal de comunicação digital de orientação política à esquerda, afirma que 640 mil eleitores do Rio de Janeiro tiveram seus locais de votação alterados antes do primeiro turno.

Segundo o apresentador, parte dessas pessoas teria chegado aos locais onde costumava votar e não encontrado sua seção eleitoral.

O número de 640 mil alterações, porém, precisa ser confirmado por dados oficiais. Também é necessário distinguir eleitores que tiveram o local alterado daqueles que efetivamente deixaram de votar por esse motivo.

Mudança pode dificultar o voto

Em muitos casos, segundo o vídeo, as mudanças teriam transferido eleitores para outros bairros, dificultando o deslocamento.

O apresentador chama atenção para a realidade de quem mora na periferia e depende do transporte público.

— Não estamos falando de um eleitor que tem carro, que pode abrir o aplicativo e verificar o novo endereço na véspera. Estamos falando do trabalhador que acorda às cinco da manhã, depende de ônibus lotado e tem uma janela de duas horas entre o turno de trabalho e o fechamento das seções.

Para esse eleitor, argumenta o comunicador, uma mudança de local de votação pode representar mais do que um inconveniente.

Pode se transformar em um obstáculo real ao exercício do voto.

Não aconteceu só no Rio

O vídeo afirma que relatos semelhantes também surgiram em São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Pernambuco e Piauí.

Eleitores teriam encontrado dificuldades para localizar suas seções eleitorais.

É importante esclarecer, no entanto, que mudanças de locais de votação podem ocorrer por razões administrativas, estruturais ou de acessibilidade.

A existência dessas alterações, isoladamente, não comprova irregularidade eleitoral.

Epa! Alguém votou por mim?

Outra denúncia apresentada pela Voz Progressista envolve relatos de eleitores que afirmam ter encontrado registros de comparecimento em seus nomes sem terem votado.

Segundo o vídeo, essas situações apareceram em publicações nas redes sociais após o primeiro turno.

— Eleitores relataram, em vídeos e publicações públicas, ter chegado para votar e descoberto que o sistema já registrava uma presença em seu nome, sem que tivessem votado.

Se confirmados, casos dessa natureza exigem investigação individualizada.

É necessário verificar os registros da seção eleitoral, a identificação do eleitor e os documentos oficiais de votação.

MPF vai investigar?

A Voz Progressista afirma que os relatos foram incluídos em uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal.

Entretanto, o envio de uma denúncia não significa que o MPF tenha aberto investigação ou confirmado as suspeitas.

Para esclarecer o caso, seria necessário identificar o protocolo, o conteúdo da representação e a eventual manifestação do órgão.

Onde Lula venceu Bolsonaro

O vídeo também sustenta que parte dos relatos teria surgido em regiões onde Lula obteve votação expressiva nas eleições de 2022.

Entre os locais mencionados estão bairros periféricos e municípios do interior nordestino.

O apresentador argumenta que moradores dessas regiões podem enfrentar maiores dificuldades para consultar informações digitais e se deslocar até novos locais de votação.

Essa relação, contudo, precisa ser demonstrada por dados geográficos e eleitorais. Não é possível concluir, apenas com relatos, que determinado grupo político tenha sido afetado de maneira desproporcional.

Quem foi prejudicado?

A pergunta merece ser feita.

Quantos eleitores tiveram suas seções transferidas? Quantos foram avisados? Quantos deixaram de votar por dificuldades de deslocamento?

E, principalmente, existe alguma relação estatisticamente demonstrável entre essas mudanças e o perfil eleitoral das regiões atingidas?

Sem essas respostas, qualquer afirmação sobre um suposto esquema direcionado contra determinado candidato permanece no campo da suspeita.

Então esclareçam!

Diante da circulação desses relatos, o caminho mais adequado é a transparência.

A Justiça Eleitoral pode esclarecer quantos locais foram alterados, quais critérios foram utilizados e como os eleitores foram informados.

Também é importante verificar as denúncias de comparecimento indevido.

A confiança no processo eleitoral depende de informações verificáveis, e não apenas de vídeos que circulam nas redes sociais.

Mídia progressista

A Voz Progressista é um canal digital de orientação política progressista, com atuação nas redes sociais.

Seu conteúdo integra o universo da comunicação política alternativa, que reúne páginas, portais e influenciadores de diferentes correntes ideológicas.

Isso não torna suas denúncias automaticamente verdadeiras ou falsas.

Como ocorre com qualquer veículo de comunicação, as informações precisam ser confrontadas com documentos, registros oficiais e outras fontes independentes.

Humm! É muito estranho…

Em tempo: eleitores recorreram às redes sociais na terça-feira (6), dois dias depois da eleição, para reclamar que o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentava registros de ausência mesmo para pessoas que afirmavam ter votado no primeiro turno.

Segundo informações divulgadas pela TV Globo, a situação estava relacionada ao processamento dos dados de comparecimento.

O tribunal passou a apresentar a indicação “em processamento” enquanto as informações eram atualizadas.

Uma inconsistência temporária na consulta pública, porém, não significa necessariamente que o voto deixou de ser registrado ou contabilizado.

Indignação

Nas redes sociais, alguns eleitores passaram a relacionar os problemas relatados ao resultado da eleição presidencial.

Um deles, identificado como Eliseu Santos, afirmou acreditar que o segundo turno já estaria definido em favor de Flávio Bolsonaro.

— Não adianta a gente se mobilizar, virar voto, falar com os 33 milhões de pessoas que não foram votar para irem votar, se o sistema já está preparado, programado e articulado para dar a Presidência para ele.

A declaração expressa a desconfiança do eleitor, mas não apresenta provas de manipulação do resultado.

Mamãe não votou…

Outra internauta relatou uma situação diferente.

— Minha mãe, de 77 anos, não foi votar, e lá no site do TSE consta que ela foi. Já enviei uma notificação à Ouvidoria do TSE. Sinceramente, espero que seja uma falha do sistema na internet.

O caso também precisa ser apurado.

A existência de registros contraditórios justifica pedidos de esclarecimento, mas não permite concluir, sem investigação, que houve fraude.

TSE tenta evitar confusão

Diante das reclamações, a Justiça Eleitoral informou que os registros de comparecimento, ausência e justificativa ainda estavam sendo processados.

A indicação “em processamento” passou a aparecer para evitar interpretações equivocadas durante a atualização do sistema.

O esclarecimento é importante porque a consulta individual de comparecimento e a totalização dos votos são procedimentos distintos.

DE MULHER PARA MULHER

A ex-primeira-dama e senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL), tem viagem prevista ao Amazonas nos próximos dias para participar de atividades de campanha.

Segundo a assessoria da candidata ao Governo do Estado, Professora Maria do Carmo (PL), a expectativa é que Michelle desembarque em Manaus neste fim de semana, dias 10 ou 11 de outubro.

Agora vai!

A visita faz parte das articulações políticas para o segundo turno no Amazonas.

Maria do Carmo disputa o Governo do Estado contra o senador Omar Aziz (PSD).

A presença de Michelle é considerada uma oportunidade para ampliar a exposição da candidatura do PL entre eleitores ligados ao bolsonarismo.

Flávio também pode vir

A agenda poderá contar ainda com a presença de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República.

Até a confirmação oficial da programação, a participação do presidenciável permanece como possibilidade.

MAMÃE, EU QUERO!

Major Alberto Neto: sem mandato em 2027, deputado vê seu futuro político entrar em discussão

Derrotado na disputa pelo Senado Federal, o deputado Alberto Neto (PL) ficará sem mandato parlamentar a partir de 2027.

Nos bastidores políticos, seu nome passou a ser mencionado em especulações sobre uma eventual indicação para a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente.

Não há, porém, confirmação pública de convite ou negociação para o cargo.

Já se sente superintendente?

A possibilidade de Alberto Neto assumir a Suframa ainda depende de uma série de fatores, começando pelo resultado da eleição presidencial.

Além disso, a superintendência exige conhecimento técnico e capacidade de articulação institucional para lidar com os interesses econômicos e industriais da Zona Franca de Manaus.

Perguntar não ofende

Se a indicação para a Suframa não acontecer, resta uma pergunta ao deputado.

Já que Alberto Neto construiu boa parte de sua identidade política em torno da carreira militar, pretende retornar à Polícia Militar?

A resposta depende de sua situação funcional e das regras legais aplicáveis ao retorno à corporação.

ÚLTIMA HORA

GOVERNO FEDERAL ENVIA AERONAVES PARA COMBATER INCÊNDIOS NO AMAZONAS

Ibama anuncia dois aviões, um helicóptero e 40 brigadistas após comandante dos Bombeiros afirmar que pedido de apoio havia sido negado

A relação entre o Governo do Amazonas e o governo federal ganhou um novo capítulo em meio ao combate aos incêndios florestais.

Depois que o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, afirmou que um pedido de aeronaves havia sido negado pelo governo federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou, nesta sexta-feira (9), o envio de reforços para o estado.

Segundo o órgão, serão mobilizados dois aviões, um helicóptero e 40 brigadistas de outras regiões do país.

O Ibama informou ainda que já mantém 250 profissionais, incluindo equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), atuando no Amazonas.

De acordo com o comandante dos Bombeiros, o governo estadual havia solicitado quatro aeronaves para reforçar as operações de combate aos incêndios.

O governo federal também autorizou a utilização de aviões e helicópteros por meio do Projeto Pegasus, iniciativa que permite mobilizar aeronaves públicas em situações de emergência e calamidade.

O anúncio de novos recursos não esclarece, por si só, se houve negativa anterior ao pedido específico apresentado pelo Corpo de Bombeiros.

Para isso, é necessário conhecer as datas, os documentos e os critérios técnicos envolvidos nas solicitações.

ORGULHO

Ana Elisa: eleita com 524.219 votos, deputada reforça comunicação de Lula

Ana Elisa Santos Silva tem apenas 21 anos e fez história nas eleições de 2026 ao se tornar a mulher negra mais votada para deputada federal em Minas Gerais.

Eleita pelo PT com 524.219 votos, a jovem parlamentar também conquistou grande visibilidade nas redes sociais, onde reúne aproximadamente 3,4 milhões de seguidores no Instagram.

Agora, Ana Elisa foi convidada a contribuir com a comunicação digital da campanha de reeleição do presidente Lula.

A proposta é ampliar o diálogo com o público jovem nas plataformas digitais.

— Coloquei-me à disposição para ajudar a equipe de comunicação do presidente Lula — afirmou ao Poder360.

A deputada eleita também comentou as ameaças e os ataques que afirma receber.

— É óbvio que eu temo pela minha vida, mas vivo um dia de cada vez, porque sei que sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade — declarou em entrevista à GloboNews.

VERGONHA

A proposta atribuída ao senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, de acabar com a política de valorização real do salário mínimo provocou críticas de representantes dos trabalhadores e de economistas.

A preocupação é que a interrupção dos reajustes acima da inflação reduza, ao longo do tempo, o poder de compra dos trabalhadores e o crescimento real de benefícios vinculados ao piso nacional.

A política de valorização do salário mínimo foi implementada durante os governos do PT, interrompida posteriormente e retomada no terceiro mandato de Lula.

Segundo cálculos apresentados por críticos da proposta, caso o salário mínimo tivesse recebido apenas a correção inflacionária desde janeiro de 2004, quando era de R$ 260, seu valor seria significativamente inferior ao atual.

O salário mínimo de 2026 é de R$ 1.621.

A diferença mostra a importância dos ganhos reais acumulados ao longo dos anos, embora o cálculo exato de um cenário sem valorização dependa do período e dos índices utilizados.

O piso nacional também influencia aposentadorias e outros benefícios previdenciários, além de repercutir sobre o consumo das famílias e a atividade econômica.

OUTRAS PALAVRAS

“COM A EXTREMA-DIREITA NÃO SE BRINCA, NÃO SE ALIVIA, NÃO SE TERGIVERSA, NÃO SE COMPACTUA. QUEM NÃO PERCEBER ISSO — ESTEJA NA SITUAÇÃO OU NA OPOSIÇÃO — OU ESTÁ SENDO INGÊNUO OU IRRESPONSÁVEL, OU MAL-INTENCIONADO.” (Mauro Santayana)
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