Ir para o conteúdo

Espetáculo ‘Erenilda’ estreia neste domingo no Teatro da Instalação

Montagem da Soufflé de Bodó Company é inspirada em mulheres do antigo Garimpo de Araras e aborda violência, sobrevivência e impactos da exploração dos territórios amazônicos

Foto: Divulgação

O Teatro da Instalação, no Centro Histórico de Manaus, recebe, neste domingo (30/8), às 19h, a estreia de “Erenilda: Puta de Garimpo com Dente de Ouro”, novo espetáculo da Soufflé de Bodó Company, em coprodução internacional com a Cía García Sathicq Teatro, da Argentina. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é de 18 anos.

Inspirada em mulheres reais do antigo Garimpo de Araras, em Rondônia, a montagem leva ao palco uma narrativa sobre violência, sobrevivência, memória e os impactos da exploração dos territórios amazônicos. A estreia em Manaus antecede a circulação internacional da peça em La Plata, na Argentina, entre os dias 2 e 9 de setembro, onde a equipe realizará apresentações e atividades de intercâmbio artístico.

A montagem acompanha a trajetória de Erenilda, personagem marcada pela violência, pela perda e pela sobrevivência em territórios devastados pelo avanço do garimpo e pelas transformações provocadas pelas grandes hidrelétricas na Amazônia. Em cena, ela revisita fragmentos de sua memória, atravessada pela morte brutal do filho Erê, pelas marcas físicas da violência e por afetos interrompidos, transformando o trauma em linguagem poética e política.

Segundo o diretor da Soufflé de Bodó Company, Francis Madson, a criação dialoga diretamente com experiências pessoais e memórias de territórios amazônicos.

“Passei parte da minha infância em áreas hoje inundadas pelas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Muitas dessas histórias permaneceram no meu corpo. Erenilda surge desse encontro entre memória, violência e imaginação. É uma obra sobre corpos que insistem em permanecer vivos mesmo quando o mundo tenta apagá-los”, afirma Francis Madson.

O espetáculo propõe uma reflexão sobre os impactos sociais e humanos de grandes projetos de infraestrutura na região Norte, especialmente sobre comunidades atingidas por processos históricos de deslocamento e destruição.

Ao longo da montagem, Irenilda confronta questões sobre amor, medo, violência e sobrevivência. Seu corpo torna-se território político e afetivo.

“Mesmo atravessada pela brutalidade, ela insiste na dança, no desejo e na permanência. A obra propõe uma reflexão sobre a Amazônia contemporânea, sobre os corpos esquecidos pela história oficial e sobre a capacidade humana de reinventar a vida diante da devastação”, pontua Francis Madson.

Publicidade BEMOL
Publicidade TCE
Publicidade ATEM
Publicidade Parintins

Mais Recentes