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'Essa conquista começou há quase 30 anos', diz Robério Braga sobre título da Unesco ao Teatro Amazonas

Ex-secretário de Cultura afirma que trabalho começou em 1997, com a criação da política estadual de preservação do patrimônio, e destaca que conquista é resultado de quase três décadas de investimentos e ações contínuas.

Segundo Robério Braga, a origem desse reconhecimento remonta a 1997, quando foi criada a Secretaria de Estado de Cultura - Foto: Divulgação

O reconhecimento do Teatro Amazonas e do Largo de São Sebastião como Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco representa, para o ex-secretário de Estado de Cultura Robério Braga, a conclusão de um trabalho iniciado há quase três décadas. Em entrevista ao portal marioadolfo.com, ele relembrou os bastidores da candidatura e afirmou que a conquista é fruto de uma política pública construída ao longo de diferentes governos.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciou, na madrugada desta segunda-feira (27), durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul, a inclusão do Teatro Amazonas, do Largo de São Sebastião, do Theatro da Paz e da Praça da República, em Belém, na Lista do Patrimônio Mundial sob a denominação “Teatros da Amazônia”.

Segundo Robério Braga, a origem desse reconhecimento remonta a 1997, quando foi criada a Secretaria de Estado de Cultura, durante o governo Amazonino Mendes, dando início a uma política permanente de preservação, restauração e promoção do patrimônio histórico amazonense.

— Recebo com muito orgulho e alegria a notícia desse reconhecimento. Essa caminhada começou ainda em 1997, quando estruturamos uma política cultural voltada para a valorização do nosso patrimônio histórico e artístico — afirmou.

O ex-secretário lembra que a candidatura à Unesco começou a ser estruturada anos depois e ganhou força a partir de 2015, quando o Governo do Amazonas apresentou oficialmente a proposta de reconhecimento internacional.

Para ele, o título conquistado nesta semana coloca o Amazonas em um patamar inédito.

— Raros são os bens culturais brasileiros distinguidos com esse reconhecimento. Agora, como os primeiros da Região Norte, o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, ao lado do Theatro da Paz e da Praça da República, passam a integrar esse patrimônio da humanidade — destacou.

Robério Braga também atribuiu o reconhecimento à continuidade das políticas culturais ao longo dos anos. Segundo ele, as ações iniciadas em sua gestão foram fortalecidas posteriormente durante os governos de Eduardo Braga, Omar Aziz e das administrações seguintes, ampliando a projeção internacional do Teatro Amazonas por meio de eventos como o Festival Amazonas de Ópera, o Festival Internacional de Cinema e o Amazonas Jazz Festival.

— A conservação do teatro, a revitalização do Largo de São Sebastião e a realização desses grandes eventos deram visibilidade internacional ao nosso patrimônio e consolidaram a candidatura apresentada à Unesco — afirmou.

Preservação

O ex-secretário fez questão de destacar que o reconhecimento é resultado do trabalho de centenas de pessoas que participaram da preservação do complexo histórico ao longo dos anos.

— Essa conquista pertence a muitas pessoas. Aos arquitetos, engenheiros, restauradores, técnicos da Secretaria de Cultura, servidores públicos e também aos trabalhadores anônimos — pedreiros, carpinteiros, ferreiros — que ajudaram a preservar esse patrimônio. Todos tiveram participação decisiva para que esse reconhecimento se tornasse realidade.

Segundo Robério Braga, a Secretaria de Cultura buscou especialistas brasileiros e estrangeiros para conduzir as obras de restauração, seguindo padrões internacionais de conservação do patrimônio histórico.

— Todos contribuíram de maneira decisiva para que a coragem dos governos que abraçaram esse projeto e o trabalho desenvolvido ao longo de tantos anos resultassem nessa consagração internacional. Recebo esse reconhecimento com muita alegria, mas também como a confirmação de que valeu a pena acreditar na força da cultura amazonense — concluiu.

Teatro Amazonas é reconhecido como patrimônio cultural do mundo
Teatro Amazonas e o Theatro da Paz, em Belém, foram reconhecidos pela Unesco nesta segunda-feira (27)
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