O processo de descida dos rios (vazante) segue em grande parte da Região Amazônica, como é esperado neste período de seca. Embora as chuvas estejam ocorrendo em menor quantidade em algumas áreas, a maior parte dos pontos de monitoramento mantém níveis dentro do esperado para a época. A exceção é a bacia do rio Branco, em Roraima, onde os níveis estão abaixo da média e das mínimas históricas registradas para este período.
Em Manaus, o rio Negro registrou cota de 21,76 metros (m) nesta terça-feira (15/9), mantendo descida gradual. Em São Gabriel da Cachoeira, o nível chegou a 7,80 m, enquanto em Barcelos foi de 4,38 m.
Na bacia do rio Solimões, a descida segue o comportamento esperado para o período de seca. Na estação de Tabatinga (AM), o nível registrado foi de 2,38 m, enquanto em Manacapuru (AM) ficou em 12,52 m e em Itapéua (Coari-AM) chegou a 9,15 m.
Na bacia do rio Purus, a estação de Beruri (AM) registrou a cota de 13,25 m. No rio Acre, na estação de Rio Branco (AC), o nível observado foi de 2,25 m.
O rio Madeira também segue em processo de vazante. No entanto, na estação de Porto Velho (RO), o nível ficou em 3,41 m, com uma ligeira recuperação diária. Em Humaitá (AM), o registro foi de 11,13 m.
No rio Amazonas, o nível segue baixando dentro do comportamento esperado para a época. Foram registrados 8,06 m em Itacoatiara (AM); 3,64 m em Parintins (AM); 3,85 m em Óbidos (PA) e 3,51 m em Almeirim (PA).
Na bacia do rio Tapajós, os níveis também se mantêm dentro do esperado para o período. Em Santarém (PA), a cota foi de 3,84 m e, em Itaituba (PA), de 3,44 m.
Situação do rio Branco em Roraima
Na bacia do rio Branco, os níveis estão abaixo da média e das mínimas históricas registradas para esta época do ano, reflexo das chuvas abaixo da média nos meses de julho e agosto. Em Boa Vista (RR), o rio baixou para 0,93 metro, enquanto, em Caracaraí, a cota registrada foi de 1,47 metro.
O cenário atual difere dos anos de 2023 e 2024, apresentando um comportamento mais diversificado, ou seja, ao contrário das secas anteriores, que afetaram quase todos os rios ao mesmo tempo, este ano a situação muda de região para região: a maior parte dos rios segue o ritmo normal para a época, enquanto locais como o rio Branco enfrentam uma seca maior. Contudo, técnicos alertam que, se não chover o esperado entre setembro e novembro, a vazante poderá se prolongar nas calhas do Amazonas, Solimões, Negro e Tapajós.
Neste boletim, o SGB apresentou uma previsão de longo prazo (até dezembro) para toda a Amazônia, elaborada a partir de modelos dos principais centros meteorológicos mundiais. O documento reforça que provavelmente a bacia do Rio Branco será a mais impactada pela escassez de chuvas e, consequentemente, pela redução no nível dos rios.
O SGB ressalta que os níveis d’água mais recentes apresentados podem ser eventualmente alterados em função de verificações “in loco” realizadas pelos engenheiros e técnicos que operam a rede hidrometeorológica. Nessas ocasiões, são executados trabalhos de manutenção das estações, bem como o nivelamento das réguas.
Os dados hidrológicos são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e demais parceiros. As previsões apresentadas são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes a eles. Dados em tempo real e mapas de risco estão disponíveis no Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE) em www.sgb.gov.br/sace/amazonas.