O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) empossou nesta sexta-feira (31) a advogada e professora Fabi Diniz de Queiroz Pilate como promotora de Justiça substituta. Ela é a primeira mulher trans a tomar posse no cargo de promotora de Justiça no Brasil.
Fabi Pilate é professora e advogada. Nasceu em Paranaíba (MS), estudou em escola pública e mudou-se para Campo Grande aos 17 anos para ingressar no curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Realizou estágios e assessoria jurídica no Ministério Público por quase 10 anos.
Ela fez concurso para o MPAM e foi aprovada no certame.
"Eu sou da academia. Sou muito discreta, tenho uma carreira acadêmica, sou professora, estava no mestrado, mas eu não posso me manter em silêncio enquanto as estatísticas desse país forem essas. Então, se eu puder usar essa visibilidade que estou tendo para fazer com que as pessoas parem e pensem que as pessoas trans podem tudo, vai ser muito feliz", disse Fabi Pilate em entrevista ao G1 Amazonas.
Segundo o MPAM, a aprovação de Fabi Pilate representa uma conquista histórica para a instituição e para o sistema de Justiça brasileiro, além de fortalecer a representatividade e inspirar outras pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ a acreditarem na possibilidade de ocupar espaços de destaque no serviço público.
"A presença de uma Promotora de Justiça trans significa que o Ministério Público começa, ainda que de maneira incipiente, a refletir em sua composição a pluralidade da sociedade brasileira. Instituições democráticas se fortalecem quando conseguem representar, não apenas em sua atuação, mas também em sua própria formação, a diversidade do povo em nome do qual exercem suas funções", declarou.
A cerimônia, realizada em Manaus, também oficializou a entrada de outros cinco promotores aprovados no concurso público.