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Fiocruz Amazônia passa a emitir boletins diários e semanais sobre qualidade do ar

Há cerca de 20 dias, a Fiocruz Amazônia passou a contar com uma estação de referência (BAM 1022) para monitoramento da qualidade do ar em Manaus

Foto: Reprodução

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) passará a disponibilizar boletins diários e semanais de monitoramento da qualidade do ar, contribuindo com as medições que já são realizadas e referenciando dados relativos à quantidade de material particulado presente na atmosfera, em especial no atual período de estiagem, quando a população sofre com o impacto das queimadas na Amazônia.

Manaus tem sido diretamente afetada pelo problema da concentração de fumaça advinda dos focos de queimadas registrados em diversos municípios do Amazonas e Estados vizinhos. A situação tem reflexos diretos sobre a saúde da população, principalmente para crianças, idosos e gestantes, exigindo a adoção de medidas de proteção, como uso de máscaras, hidratação e suspensão temporária da prática de exercícios físicos ao ar livre, entre outros cuidados.

Há cerca de 20 dias, a Fiocruz Amazônia passou a contar com uma estação de referência (BAM 1022) para monitoramento da qualidade do ar em Manaus. O equipamento foi instalado em uma estrutura física metálica, a uma altura de aproximadamente 3 metros, na sede do ILMD/Fiocruz Amazônia e integra a Plataforma FioAres, iniciativa desenvolvida com financiamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança de Clima, que busca fortalecer o acompanhamento da poluição atmosférica na Amazônia. A estação realiza medições contínuas e de alta precisão de material particulado fino (PM2,5), considerado um dos principais poluentes prejudiciais à saúde.

Os dados produzidos serão utilizados em pesquisas científicas, vigilância em saúde ambiental e na formulação de políticas públicas. A estação instalada em Manaus faz parte de uma rede composta por cinco unidades de referência implantadas em municípios estratégicos da Amazônia: Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Manaus (AM), Santarém (PA) e Belém (PA). A operacionalização da Plataforma FioAres reúne pesquisadores de diversas unidades da Fiocruz e instituições parceiras. A coordenação nacional é conduzida pela pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz Piauí.

Em Manaus, o monitoramento é coordenado por pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia — Fernanda Fonseca, Polari Batista e Paula Morelli — em parceria com o professor Rodrigo Souza, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Segundo Fernanda Fonseca, coordenadora do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia da Fiocruz Amazônia, a estação permitirá ampliar o monitoramento ambiental e validar informações obtidas por sensores de baixo custo e modelos atmosféricos. No boletim, encontram-se valores das médias, mínima e máxima diária de concentração de PM2.5, com uma linha vermelha que indica o limite de referência da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No dia 23 de setembro a estação de referência registrou média diária de 55,7µg/m³, aproximadamente 3,7 vezesr acima do valor-guia recomendado pela OMS. Durante 24 de 24 horas do dia, as concentrações permaneceram acima de 15µg/m³, com pico de 119,1 µg/m³ às 6hs, indicando presença persistente de material particulado fino no ar.

“A divulgação dos informes diários e boletins semanais permitirá acompanhar a qualidade do ar e orientar a população sobre os riscos da poluição, especialmente neste período de queimadas. Os dados também contribuirão para pesquisas científicas e ações de vigilância em saúde ambiental na Amazônia”, destaca Fernanda Fonseca, coordenadora do LEGEPI/Fiocruz Amazônia. Os boletins serão disponibilizados a partir desta sexta-feira, 25/09, na página da Fiocruz Amazônia, na aba Informes Diários e Boletins semanais de Qualidade do Ar.

“É importante enfatizar em relação ao principal resultado mostrado no boletim de hoje, dia 23, que os níveis de concentrações de PM₂,₅ permaneceram acima do valor recomendado pela OMS, que é 15 µg/m³, ao longo de todas as horas monitoradas, e não somente a ocorrência de picos pontuais. A exposição contínua da população a níveis elevados de material particulado fino evidencia a importância do monitoramento permanente da qualidade do ar e da adoção de medidas preventivas para reduzir a exposição da população, sobretudo durante episódios de fumaça intensa”, destaca o pesquisador Polari Corrêa.

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