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GACC alerta para diagnóstico precoce do câncer infanto-juvenil

Campanha Setembro Dourado 2026 é dedicada à conscientização sobre o câncer infanto-juvenil

Foto: Divulgação

O Grupo de Apoio à Criança com Câncer do Amazonas (GACC-AM) realizou, na tarde desta terça-feira (1º), em Manaus, o lançamento da campanha Setembro Dourado 2026, mês dedicado à conscientização sobre o câncer infanto-juvenil e à importância do diagnóstico precoce. Com o tema “Um olhar atento pode salvar vidas”, a programação chamou a atenção para sinais e sintomas que podem ser confundidos com problemas comuns da infância e reforçou a importância de procurar atendimento médico diante de alterações persistentes na saúde das crianças e adolescentes.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que os casos da doença em crianças e adolescentes representam de 1% a 3% da população em geral, respondendo a cerca de 8% dos óbitos na faixa etária entre 1 e 19 anos. No Brasil, até 2028, a estimativa é de que sejam registradas 22,6 mil ocorrências em quem está no pleno início da vida.

Durante o evento, realizado no auditório da instituição, o GACC-AM apresentou informações sobre o câncer infanto-juvenil e promoveu momentos de conscientização com a participação de profissionais, mães e ex-pacientes. A programação também contou com apresentação do Ballet das crianças assistidas pelo GACC-AM e do Coral das Mães.

Segundo a gerente operacional do GACC-AM, Simy Essucy, a campanha tem como principal objetivo fazer com que a informação alcance a população e contribua para que os sinais da doença sejam percebidos com maior atenção.

“Hoje nós estamos abrindo oficialmente a campanha do Setembro Dourado, que é um mês de sensibilização ao diagnóstico precoce. O objetivo é divulgar os sinais e sintomas do câncer infanto-juvenil”, explicou.

A gerente destacou ainda que muitos dos sintomas podem ser confundidos com outras doenças comuns na infância, o que pode dificultar a identificação do câncer. Por isso, a campanha busca orientar pais, responsáveis e a sociedade para que alterações persistentes sejam investigadas por profissionais de saúde.

“São sintomas comuns e, às vezes, eles não são perceptíveis. Para que a criança seja diagnosticada, caso seja um câncer, precocemente, as chances de cura são de até 80%”, afirmou Simy.

Relatos mostram os desafios do tratamento

Além das informações sobre prevenção e diagnóstico, o lançamento do Setembro Dourado foi marcado pelos relatos de famílias que vivenciaram o câncer infanto-juvenil e encontraram no GACC-AM suporte durante a jornada de tratamento.

A autônoma Aminadabe Miranda, mãe de Agatha Miranda de Souza, de 13 anos, que atualmente realiza tratamento contra o câncer com apoio da instituição, contou que o diagnóstico veio depois que alterações na saúde da filha inicialmente foram associadas a outros problemas.

“Foi acontecendo com ela. E aí a gente achou que era uma coisa ou outra, e a gente acabou levando ela para o hospital. (...) Dentro dessas cirurgias a gente descobre que o diagnóstico se refere a um câncer. E aí toda a jornada começa”, relatou.

A mãe também falou sobre as dificuldades enfrentadas durante o tratamento, que pode envolver procedimentos cirúrgicos, quimioterapia, radioterapia, exames frequentes e mudanças na alimentação e na rotina do paciente. Apesar dos desafios, ela destaca a evolução da filha e a retomada gradual da qualidade de vida.

“Conforme o tratamento vai surgindo e tudo isso vai acabando, diminuindo, o paciente vai começando a ter uma vida melhor, uma vida com uma qualidade boa, já começa a viver como antes”, afirmou.

A programação também contou com o relato de Jéssica Jorge, que acompanhou o filho durante um longo tratamento contra um câncer raro descoberto quando ele tinha apenas dois anos. Após anos de acompanhamento, o filho recebeu alta em 2022 e atualmente está curado.

“Foi assim, de início nós perdemos o chão, né? Mas depois nós chegamos, conseguimos tratamento. Foi um diagnóstico assim, seis meses para fechar um diagnóstico”, contou.

Jéssica destacou a importância do apoio recebido pelo GACC-AM durante o tratamento. Moradora de Manacapuru, no interior do Amazonas, ela precisava permanecer em Manaus durante períodos do tratamento do filho.

“Sim, o GACC foi uma bênção na nossa vida. (...) O GACC entrou na nossa vida no início do nosso tratamento. Eu digo nosso porque eu também passei pelo tratamento com ele”, afirmou.

Acolhimento às famílias

Com mais de 27 anos de atuação, o GACC-AM oferece assistência integral e gratuita a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer, além de prestar apoio aos familiares. Atualmente, a instituição possui mais de 1.300 pessoas cadastradas e atende pacientes de Manaus, do interior do Amazonas e de outras regiões.

O trabalho inclui serviços como assistência social, acompanhamento psicológico, suporte nutricional, fisioterapia e fonoaudiologia. A instituição também oferece hospedagem, alimentação e transporte, estrutura especialmente importante para famílias que precisam deixar seus municípios de origem para realizar o tratamento na capital.

Dessa forma, além de atuar diretamente no acolhimento de pacientes e acompanhantes, o GACC-AM também contribui para reduzir dificuldades enfrentadas pelas famílias durante o tratamento, oferecendo suporte para que crianças e adolescentes possam permanecer em Manaus pelo período necessário.

Setembro Dourado

O Setembro Dourado é uma campanha de conscientização sobre o câncer infanto-juvenil que busca ampliar o conhecimento da população sobre a doença e reforçar a importância da identificação dos primeiros sinais. Diferentemente de muitos tipos de câncer em adultos, os cânceres que atingem crianças e adolescentes não estão, em geral, associados a fatores de risco relacionados ao estilo de vida, o que torna a atenção aos sinais e o diagnóstico precoce ainda mais importantes.

Entre os sinais que merecem atenção estão sintomas persistentes ou sem explicação aparente, como dores frequentes, perda de peso sem causa definida, febre prolongada, palidez, cansaço excessivo, alterações nos olhos, caroços ou inchaços, além de mudanças neurológicas ou motoras. A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas deve ser avaliada por um profissional de saúde quando persistente.

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