As ações voltadas à população indígena no Amazonas vão além das atividades pontuais realizadas no Dia dos Povos Originários, celebrado neste domingo (19/04). Dados recentes apontam investimentos em áreas como geração de renda, capacitação e acesso a serviços básicos, alcançando comunidades em diferentes regiões do estado.
Entre o segundo semestre de 2025 e abril deste ano, mais de R$ 2,1 milhões foram gerados por indígenas a partir da participação em feiras artesanais itinerantes. No mesmo período, 107 pessoas aderiram ao programa +Crédito Indígena, que movimentou cerca de R$ 672 mil.
De acordo com o diretor-presidente da Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepiam), Nilton Makaxi, as ações envolvem articulação com diferentes instituições. “Graças a essa conversação, buscando e dialogando com as outras instituições para que nós pudéssemos trazer esse benefício aos povos indígenas. É muito gratificante isso”, afirmou.
Além da geração de renda, iniciativas também contemplaram assistência social e infraestrutura. Cerca de 11,2 mil famílias, em 352 comunidades, receberam kits de alimentos. Outros 248 grupos passaram a ter acesso à água potável. Na área de capacitação, 200 indígenas concluíram cursos realizados em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Ministério Público do Trabalho (MPT).
“Duzentos indígenas foram formados. Foi muito fundamental para que os povos indígenas, jovens indígenas, tenham acesso também à questão de emprego”, disse Makaxi.
Também foram realizadas rodadas de negócios em parceria com o Sebrae, que resultaram em aproximadamente R$ 350 mil em rendimentos para participantes indígenas.
Durante o mês de abril, estão previstas ações como apoio a atividades no Parque das Tribos, em Manaus, e a inauguração de um espaço voltado à produção artesanal na sede da Fepiam, na zona norte da capital.
O programa +Crédito Indígena oferece financiamento para indígenas que atuam em atividades produtivas, com valores que podem chegar a R$ 21 mil, conforme análise de crédito. A iniciativa atende tanto pessoas físicas quanto microempreendedores individuais e já alcançou municípios do interior e a capital.
Segundo o diretor-presidente da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), Marcos Vinícius Cardoso de Castro, o objetivo é ampliar a inclusão econômica. “É uma linha de crédito desenvolvida [...] com vista a atender os povos originários e aqueles que desempenham alguma atividade produtiva”, afirmou.
Na área da educação, a rede estadual atende mais de 14 mil estudantes indígenas em 30 escolas e 108 comunidades. O modelo inclui ensino intercultural, bilíngue e diferenciado.
De acordo com o gerente de Educação Escolar Indígena, Ytanajé Coelho Cardoso, há avanços na estrutura pedagógica. “Estamos no momento de produção de documentos oficiais, a proposta curricular e pedagógica tanto do Ensino Médio quanto do Fundamental”, explicou.
Durante o mês, também estão sendo realizadas atividades voltadas à valorização da cultura indígena nas escolas, em cumprimento à legislação que prevê o ensino da história e cultura indígena no currículo escolar.