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Isael Munduruku afirma que escola não pode continuar reproduzindo desigualdades

Programa de Governo propõe valorização dos profissionais, escolas estruturadas, internet, educação indígena e ribeirinha fortalecida e formação técnica para manter jovens no interior

Foto: Divulgação

Reduzir as desigualdades educacionais entre Manaus, o interior, as aldeias e as comunidades mais distantes é uma das prioridades defendidas pelo candidato ao Governo do Amazonas Isael Munduruku, da Federação REDE-PSOL. Em seu Programa de Governo, ele propõe uma educação pública voltada para a vida, o trabalho, a ciência, a cultura e a participação social, reconhecendo que a realidade amazônica exige políticas capazes de dialogar com rios, florestas, línguas, distâncias e conhecimentos tradicionais.

A proposta prevê alfabetização na idade adequada, recuperação das aprendizagens, busca ativa de crianças e adolescentes fora da escola, fortalecimento da educação integral e alimentação escolar saudável e regional. Também propõe reformar escolas para assegurar água potável, acessibilidade, conforto térmico, espaços esportivos e condições adequadas de funcionamento. Para Munduruku, essas medidas são fundamentais para enfrentar desigualdades históricas e garantir condições reais de aprendizagem.

“Não podemos aceitar que o lugar onde uma criança nasce determine a qualidade da educação que ela terá. Uma criança de uma comunidade ribeirinha, de uma aldeia, de um município do interior ou da periferia de Manaus tem o mesmo direito a uma escola digna, com professores valorizados e condições reais de aprendizagem”, afirma.

Outro ponto central do programa é a valorização dos profissionais da educação. A proposta prevê recomposição progressiva de perdas, cumprimento dos direitos de carreira, negociação coletiva transparente, concursos públicos, formação continuada durante o horário de trabalho, saúde ocupacional, prevenção ao assédio e apoio psicossocial. Também estão previstas equipes escolares com intérpretes, cuidadores e, conforme a legislação, profissionais de psicologia e serviço social.

“Professor não pode ser lembrado apenas em discurso. Valorizar quem ensina significa garantir carreira, remuneração, respeito e condições concretas de trabalho”, ressalta.

O Programa de Governo também propõe uma educação adequada às diferentes realidades amazônicas. Escolas indígenas, ribeirinhas, quilombolas e do campo deverão ter currículos e calendários construídos de acordo com as comunidades, respeitando os ciclos das águas, as línguas, a memória, a cultura, os conhecimentos tradicionais e as formas próprias de organização.

Na educação indígena, a proposta é garantir um modelo específico, diferenciado, intercultural, comunitário e bilíngue ou multilíngue. O plano prevê concursos específicos para professores indígenas, produção de materiais didáticos em línguas originárias, participação de sábios, artistas e pesquisadores dos povos, além de transporte escolar fluvial com padrões de segurança e planejamento para períodos de secas, cheias e outros eventos extremos.

Outro desafio apontado por Isael Munduruku é ampliar oportunidades para que os jovens possam estudar e se qualificar sem precisar deixar o interior. Para isso, o programa propõe ampliar o ensino médio integrado e a formação técnica nos polos regionais, com cursos ligados às potencialidades locais, além de bolsas de permanência, moradia estudantil, transporte, laboratórios escolares, iniciação científica, estágios remunerados e oportunidades de primeiro emprego.

A proposta prevê ainda articulação com UEA, Ufam, Ifam e instituições de pesquisa para ampliar a interiorização do ensino e da produção científica. Segundo Munduruku, a educação precisa combinar conhecimento, identidade, tecnologia e oportunidades, permitindo que crianças e jovens construam seus projetos de vida nos territórios onde escolherem viver.

“O Amazonas precisa de uma educação que chegue onde o Estado muitas vezes teve dificuldade de chegar. Queremos uma escola que respeite a identidade dos nossos povos, utilize a tecnologia sem substituir o professor e permita que nossos jovens estudem, trabalhem e construam seu futuro no lugar onde escolherem viver. Educação não pode ser privilégio; tem que ser direito exercido de verdade”, concluiu.

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