O 1º Tribunal do Júri da Comarca de Manaus condenou Antônio Sirlande Coelho da Silva a 35 anos e 6 meses de reclusão pelos crimes de feminicídio e estupro de vulnerável praticados contra sua enteada, de 13 anos, em Eirunepé. No mesmo julgamento, encerrado na noite desta quarta-feira (03/06), a mãe da vítima, Maria Janeide Pereira da Costa, foi condenada a 10 anos, 4 meses e 8 dias de prisão por estupro de vulnerável por omissão.
No julgamento, realizado ao longo de dois dias, a Justiça acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). A sentença foi lida pelo juiz Rafael Raposo, enquanto a atuação ministerial em plenário foi conduzida pelo promotor de Justiça Fabrício Santos.
De acordo com a denúncia oferecida pelo MPAM, as investigações demonstraram que o padrasto da vítima praticava abusos sexuais contra a adolescente de forma reiterada, aproveitando-se da convivência familiar e da posição de autoridade exercida dentro do ambiente doméstico.
As apurações também comprovaram que, em novembro de 2021, o acusado matou a adolescente utilizando arma branca, crime praticado com extrema violência. O Ministério Público sustentou que o homicídio ocorreu em contexto de violência de gênero e foi precedido por abusos sexuais contra a vítima.
Durante a tramitação do processo, ficou demonstrado, ainda, que a mãe da adolescente tinha conhecimento dos abusos relatados pela filha e "deixou de adotar medidas capazes de interromper a prática criminosa, circunstância que fundamentou sua responsabilização penal por omissão imprópria".
Ao final do julgamento, os jurados acolheram as teses apresentadas pelo MP e reconheceram a responsabilidade dos réus pelos crimes apurados no processo.
O julgamento foi realizado em Manaus após o desaforamento do processo, medida prevista na legislação que transfere o julgamento para outra comarca quando há necessidade de garantir a imparcialidade dos jurados e a regularidade do julgamento.
Com a decisão, o caso, que chocou os eirunepeenses, chega ao seu desfecho no Tribunal do Júri em Manaus, após mais de quatro anos de tramitação. A condenação resulta do conjunto de provas produzido durante a investigação e reforçado ao longo da instrução processual.