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Ministro denuncia uso de coquetéis molotov para provocar incêndios na Amazônia

João Paulo Capobianco relata ataques criminosos à floresta, ameaças a brigadistas e suspeita de ligação com a disputa eleitoral.

Manaus encoberta por fumaça - Foto: Divulgação/AM Post/ND Mais

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, denunciou que pessoas estão lançando garrafas com gasolina e fogo, semelhantes a coquetéis molotov, para provocar incêndios na floresta amazônica. Em entrevista à BandNews Amazônia, ele afirmou que as denúncias chegaram ao governo federal por meio de órgãos de segurança e equipes de combate às queimadas.

“Recebi relatos de identificação de caminhonetes, denúncias anônimas de caminhonetes com pessoas dentro delas, na caçamba, jogando garrafas com gasolina e fogo em áreas de floresta”, afirmou ele à jornalista Dhyene Brissow.

Segundo o ministro, brigadistas e bombeiros também foram ameaçados por pessoas que prometiam incendiar novamente áreas onde o fogo havia sido controlado.

Capobianco revelou ainda que as autoridades investigam uma possível relação entre os incêndios criminosos e a disputa eleitoral. Segundo ele, políticos estariam explorando a crise ambiental nas redes sociais, o que levanta suspeitas sobre eventuais motivações políticas. Nenhuma ligação criminosa com candidatos foi comprovada.

Força-tarefa federal

O governo federal mobilizou 330 brigadistas do Ibama e do ICMBio para atuar no Amazonas, além de sete aviões de combate ao fogo, dois aviões de transporte, três helicópteros, 32 veículos e oito embarcações. O Ministério da Justiça também anunciou um contingente de 160 profissionais da Força Nacional, com mobilização prevista até 21 de outubro.

A situação é preocupante. Segundo o Inpe, o Amazonas acumulou 8.084 focos de calor até 15 de outubro de 2026, aumento de aproximadamente 120% em relação ao mesmo período do ano passado.

Lábrea (257 focos), Autazes (194), Boca do Acre (189), Itacoatiara (120) e Novo Aripuanã (101) lideram o levantamento referente à primeira quinzena de outubro.

O ministro rebateu acusações de omissão do governo federal e garantiu que os responsáveis pelos incêndios serão investigados e responsabilizados.

“Toda a capacidade do governo federal foi destinada para colaborar com o Estado e livrar a população de Manaus dessa fumaça”, afirmou.

Investigação busca identificar responsáveis

As denúncias relatadas pelo ministro estão sendo apuradas por órgãos de segurança pública federais e estaduais.

Durante coletiva realizada em Manaus, o presidente do Ibama, Jair Schmitt, informou que uma equipe aérea chegou a registrar pessoas iniciando um foco de incêndio. Os agentes obtiveram imagens e coordenadas geográficas da ocorrência, que serão utilizadas na investigação.

As apurações envolvem a Polícia Federal, a Polícia Civil do Amazonas e órgãos de inteligência, com o objetivo de identificar tanto os autores materiais quanto possíveis responsáveis por ações coordenadas. 

Capobianco também rebateu as acusações de demora ou negligência do governo federal no combate aos incêndios. Segundo ele, os recursos disponíveis foram direcionados para apoiar o Amazonas e reduzir os efeitos da fumaça que atinge Manaus.

A prioridade, afirmou o ministro, é controlar as chamas, proteger a população e responsabilizar criminalmente quem estiver provocando incêndios.

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