Durante de preparação da urna eletrônica para o pleito do próximo dia 04 de outubro, o TRE-AM promove, desde o último dia 17/09, cerimônias públicas que podem ser acompanhadas por autoridades, representantes de partidos políticos, entidades fiscalizadoras e observadores da sociedade civil, ampliando a transparência e o controle público sobre as etapas que antecedem a votação.
Regulamentados pelos Editais nº 01 e 02/2026/Carga e Lacre, publicados no Diário da Justiça Eletrônico (DJE/TRE-AM), os trabalhos incluem a geração de mídias, a carga das urnas com os dados oficiais de eleitores e candidatos, os testes de funcionamento e a lacração dos equipamentos. O processo também contempla procedimentos de auditoria destinados a verificar a integridade e o correto funcionamento das urnas eletrônicas.
Responsável pelos trabalhos da 2ª Zona Eleitoral, o juiz eleitoral Antônio Itamar de Sousa Gonzaga atua, pela primeira vez, como titular. Nesta quarta-feira (23/09), participou do acompanhamento dos trabalhos, na Seção do Voto Informatizado (Sevin) do TRE-AM. “A gente vem coroar um trabalho de software e de tecnologia da informação que se concretiza de forma bem prática, colocando as informações que farão diferença para as urnas funcionarem. Nós publicamos editais e damos total publicidade das datas, de qual dia e horário esse trabalho é realizado, para que os eleitores, os partidos e seus representantes possam participar de todo o processo”, afirma.
Com a experiência de mais de uma década atuando em comarcas do interior como Santo Antônio do Içá, Parintins, Urucurituba e Nhamundá, o magistrado lembrou os desafios logísticos do estado: “Na capital chegamos de carro, mas no interior enfrentamos uma logística complexa de barcos e lanchas. Hoje, temos urnas com autonomia de bateria para funcionar o dia todo sem tomada, garantindo o direito de voto mesmo nas comunidades mais isoladas”, disse.
A etapa de preparação compreende a inserção dos dados e dos sistemas oficiais nas urnas, a realização de testes de funcionamento e o fechamento dos equipamentos por meio da lacração. As atividades são conduzidas pelas equipes da Justiça Eleitoral e podem ser acompanhadas pelos interessados, conforme as regras estabelecidas nos editais.
O Ministério Público também participou da fiscalização. O promotor eleitoral da 2ª zona, Jorge Damaceno, acompanhou presencialmente o procedimento de lacração e participou de simulações de votação com dados e candidatos reais.
”Nossa função aqui como Ministério Público Eleitoral é exatamente essa: a de fiscalizar todas as etapas do processo eleitoral, inclusive essa parte de funcionalidade, lacre das urnas e preparo das urnas para que tudo saia de acordo com o que dispõe a nossa legislação eleitoral”, destacou. “A minha avaliação é de que o processo foi todo feito de maneira muito transparente, muito correta e funcional. Então, não temos nenhuma restrição quanto a essa funcionalidade”, completou.
"Não temos nenhuma dúvida de que serão eleições dentro da mais perfeita ordem e com total transparência e segurança"
Sociedade civil e observação eleitoral
A participação de observadores eleitorais e representantes da sociedade civil também integra as iniciativas de acompanhamento da preparação das urnas no Amazonas. Três representantes da Transparência Eleitoral participaram do acompanhamento dos trabalhos na manhã desta quarta-feira (23/09), entre eles a estudante de Direito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Larissa Natividade. “É uma experiência muito valiosa enquanto cidadã e estudante de Direito. Acho que a nossa observação aumenta a confiabilidade no sistema democrático, na democracia e nas urnas... Para mim está sendo uma experiência única”, afirma a estudante que cursa o 6º período e tem um projeto de pesquisa em andamento na área do Direito Eleitoral, onde pretende se especializar.
Da geração de mídias à lacração das urnas
A preparação das urnas ocorre em Manaus e nos municípios do interior do Amazonas, sob a coordenação das respectivas zonas eleitorais. Durante os trabalhos, as equipes técnicas realizam a geração das mídias e a carga das urnas destinadas às seções eleitorais e às unidades de contingência. Também são executados testes para verificar o funcionamento dos equipamentos, incluindo o teclado do terminal do eleitor e a exibição dos candidatos registrados por cargo e partido.
Antes das simulações de votação, a urna emite a zerésima, relatório impresso que demonstra que não há votos contabilizados para candidatos ou candidaturas naquele equipamento antes do início da votação. Os documentos e registros produzidos durante os procedimentos são incorporados às atas correspondentes, conforme as regras aplicáveis, assegurando a documentação das atividades realizadas.
Por trás de todo o trabalho de preparação, a experiência dos servidores é fundamental para a organização e o sucesso do pleito. Completando 20 anos dedicados à Justiça Eleitoral, a servidora Márcia França, responsável pelas coordenação dos trabalho de carga e lacre, destaca a precisão na execução do cronograma técnico. "Está tudo ocorrendo de acordo com o nosso planejamento, sem necessidade de troca de urnas por problemas técnicos”, afirma. “A gente veste a camisa da Justiça Eleitoral com muito orgulho de fazer parte de todo esse processo para garantir que ele aconteça de forma transparente e de acordo com a resolução”.