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PL oficializa candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência

Convenção exibiu vídeo feito com inteligência artificial do ex-presidente Bolsonaro

Flávio Bolsonaro durante a convenção do PL para oficializar sua candidatura à Presidência. — Foto: Reuters/Jean Carniel

O Partido Liberal do Brasil (PL), do ex-Presidente Jair Bolsonaro, oficializou hoje a candidatura do seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, às eleições presidenciais de outubro.

O anúncio foi feito pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na cerimónia de proclamação realizada no estádio de futebol Pacaembu, em São Paulo, na qual contou com a presença do Presidente argentino, Javier Milei.

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, sucede assim ao pai, inibido de exercer cargos públicos, condenado e em prisão domiciliária por liderar uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022 para o atual Presidente, Lula da Silva, que se recandidata à reeleição aos 80 anos.

Antes de elogiar Flávio, Costa Neto recordou o pai, Jair, que classificou como "o maior líder" que alguma vez conheceu.

Durante a cerimónia, Flávio Bolsonaro, ouviu e emocionou-se com as mensagens gravadas em vídeo pelos irmãos Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos por considerar ser alvo de perseguição judicial, e Carlos Bolsonaro.

"Confio na tua capacidade para levar por diante o trabalho de Jair Bolsonaro", afirmou Carlos Bolsonaro, antigo vereador do Rio de Janeiro, na mensagem em vídeo, enquanto Flávio limpava as lágrimas com um lenço, ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro.

À convenção, realizada num espaço interior do Pacaembu que reuniu algumas centenas de militantes, assistiram também senadores, deputados e governadores alinhados com o bolsonarismo.

Segundo as sondagens, Lula da Silva parte com uma ligeira vantagem sobre o filho mais velho de Jair Bolsonaro.

A mais recente sondagem da Datafolha, divulgada na sexta-feira, atribui a Lula 48% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro numa eventual segunda volta.

O senador de 45 anos enfrenta várias frentes de contestação que têm suscitado dúvidas e críticas em relação ao seu projeto político.

Em paralelo, procura o apoio de outros partidos da direita, mas as negociações não têm avançado.

O Republicanos e a coligação União Progressista, formada pelos partidos de centro-direita União Brasil e Progressistas (PP), continuam sem aderir ao projeto de Flávio Bolsonaro, cuja candidatura tem perdido força em consequência de conflitos familiares e de polémicas relacionadas com a alegada ligação a um banqueiro preso.

A mulher de Jair Bolsonaro, Michelle (que não marcou presença hoje no evento, gravando apenas um vídeo), acusou recentemente publicamente o enteado de a "humilhar" e chegou mesmo a abandonar a presidência da ala feminina do PL. Na véspera, numa tentativa de apaziguar a situação, Flávio pediu-lhe desculpa através das redes sociais.

O outro foco de preocupação é a alegada ligação de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, instituição colocada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025 e atualmente em prisão preventiva.

Vorcaro é investigado por uma fraude milionária no sistema financeiro, através da concessão de créditos falsos.

O escândalo ganhou grande notoriedade à medida que a imprensa foi revelando contactos e alegados negócios de Vorcaro com altas figuras dos três poderes do Estado, desde juízes do Supremo Tribunal Federal a congressistas de diferentes correntes políticas.

Flávio Bolsonaro acabou também envolvido na polémica. Em maio passado, o portal Intercept Brasil revelou que o senador negociou diretamente com Vorcaro um financiamento de vários milhões de reais para a produção de um filme biográfico sobre o pai.

O Supremo Tribunal Federal autorizou na quinta-feira a investigação ao financiamento da longa-metragem, ainda sem data de estreia no Brasil.

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