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Projeto Água Boa leva dignidade a comunidades indígenas no AM

Iniciativa do Governo do Amazonas garante água potável, inclusão social e melhores condições de saúde em áreas de difícil acesso

O projeto leva soluções adaptadas à realidade amazônica - Foto: Divulgação

Neste Dia dos Povos Indígenas, 19 de abril, a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) reforça a importância do Projeto Água Boa como uma política pública essencial para garantir o acesso à água potável em regiões remotas do estado. A iniciativa do Governo do Amazonas tem transformado a realidade de comunidades indígenas e ribeirinhas, promovendo saúde, inclusão social e dignidade a populações historicamente vulneráveis.

Implantado em áreas de difícil acesso, o projeto leva soluções adaptadas à realidade amazônica, promovendo segurança hídrica mesmo em territórios marcados por desafios logísticos, geográficos e estruturais. Por meio de tecnologias sociais como o Projeto Água Boa, as comunidades passam a contar com água tratada, reduzindo significativamente os riscos de doenças de veiculação hídrica e melhorando a qualidade de vida.

Segundo a gerente de Saneamento Rural da Cosama, Camila Fuziel, o projeto vai além da infraestrutura. "O Água Boa representa inclusão e dignidade. Garantir o acesso à água tratada em comunidades indígenas é assegurar um direito básico, respeitar os modos de vida dos povos da floresta e promover saúde. Mesmo diante dos desafios logísticos e energéticos da Amazônia, seguimos avançando com soluções adaptadas e sustentáveis para essas populações", destacou.

Projeto Água Boa em cenário nacional

O alcance do projeto chegou ao cenário nacional. Com o trabalho "Projeto Água Boa: o papel dos sistemas comunitários no acesso à água segura em comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas do Amazonas", a Cosama conquistou o 1º lugar na categoria Meio Ambiente do 2º Prêmio Nacional Universalizar, promovido pela Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), em novembro de 2025, premiação que reconhece as iniciativas mais inovadoras e transformadoras do saneamento básico no Brasil.

Além de levar água de qualidade, o projeto contribui diretamente para a redução da mortalidade infantil e para a melhoria das condições sanitárias e de saúde pública nas regiões mais distantes do estado, reafirmando, no Dia dos Povos Indígenas, o compromisso do Governo do Amazonas com o direito humano à água.

Tecnologia adaptada à realidade amazônica

O Projeto Água Boa é uma modernização do sistema SALTA-z, desenvolvida especificamente para atender às condições geográficas, culturais e ambientais da Amazônia. A captação superficial é realizada próxima a mananciais, igarapés e lagos, e garante que 100% da água fornecida atenda aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde, assegurando abastecimento seguro e sustentável para comunidades historicamente excluídas do acesso a esse direito básico.

O sistema oferece tratamento completo de coagulação, floculação, sedimentação, filtração e desinfecção, com componentes modulares, manutenção simplificada e baixo custo operacional. Chamadas de Soluções Alternativas Coletivas de Abastecimento de Água (SAC), essas estruturas são implantadas com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), parceiro estratégico do projeto, que contribui com recursos técnicos e institucionais para ampliar o acesso à água segura nas comunidades mais vulneráveis da Amazônia. A implementação inclui ainda capacitação técnica e educação ambiental, com participação ativa das comunidades, garantindo continuidade e apropriação local dos serviços.

Apesar dos avanços, a execução e a operação dos sistemas enfrentam obstáculos significativos, principalmente devido à instabilidade no fornecimento de energia elétrica nas comunidades. Em regiões isoladas, quedas frequentes e longos períodos sem energia comprometem o funcionamento dos sistemas, impactando o abastecimento contínuo de água.

Diagnóstico antes da ação

Antes de cada implantação, o projeto realiza um diagnóstico técnico-social integrado nas comunidades-alvo. Uma equipe multidisciplinar composta por engenheiros, geólogos e profissionais de gestão ambiental e ciências sociais aplica um checklist padronizado para levantar dados geográficos, demográficos, logísticos, infraestruturais e hidráulicos. Essa etapa é essencial para avaliar a viabilidade técnica do sistema e garantir que a solução adotada seja adequada à realidade de cada território.

Transformação na vida das comunidades indígenas

Na comunidade indígena de Tauaru, da etnia Kokama, localizada em Tabatinga, o sistema implantado, em 2023, atende cerca de 116 famílias, beneficiando mais de 580 pessoas. A solução inclui captação de água por diferentes fontes, mas depende diretamente de energia elétrica para operar. Interrupções que chegam a durar dias ou até semanas afetam o tratamento e a distribuição da água, além de gerar custos com manutenção e riscos à saúde da população.

Situação semelhante é vivenciada na comunidade indígena Novo Porto Lima, em Benjamin Constant, formada pelo povo Tikuna. Com cerca de 70 famílias atendidas, o sistema ampliou o acesso à água tratada, mas também enfrenta limitações relacionadas à infraestrutura energética, que impactam desde a implantação até a operação contínua.

Ainda assim, o projeto tem avançado de forma consistente, com apoio institucional e parcerias estratégicas, como a colaboração com o Unicef na elaboração e implementação do Plano de Segurança da Água (PSA), fortalecendo o controle da qualidade e a gestão dos sistemas em todas as etapas do abastecimento.

Para os moradores, os resultados já são evidentes. O acesso à água tratada trouxe melhorias diretas na saúde e no cotidiano das famílias. O comunitário de Novo Porto Lima e Professor, Lauzer Inácio, destaca a mudança na realidade local.

"Esse projeto foi um sonho realizado para a nossa comunidade. Hoje estamos bebendo água de qualidade, água tratada. Antes, a gente consumia água do rio e as crianças e os moradores adoeciam muito. Agora, isso diminuiu bastante. A chegada da Água Boa trouxe um momento maravilhoso para todos nós", afirmou o comunitário.

Alcance e impacto social

Atualmente, o Projeto Água Boa conta com 52 sistemas implantados em 47 comunidades de 15 municípios do Amazonas, beneficiando aproximadamente 5.500 famílias, o equivalente a mais de 25 mil pessoas, a maioria residente em áreas de difícil acesso. A Defesa Civil do Estado contribuiu com outros 777 sistemas instalados em 60 municípios, beneficiando 248.640 pessoas, equivalentes a 62.160 famílias.

Juntos, os números revelam o alcance de uma política pública que chega onde o saneamento convencional ainda não chegou, beneficiando 67.660 famílias.

As ações têm ampliado o acesso contínuo à água tratada, reduzido a dependência de fontes contaminadas e fortalecido a segurança sanitária. Além disso, o projeto contribui para a autonomia das comunidades na gestão dos sistemas, incentivando a participação local e garantindo maior sustentabilidade das soluções.

Ao levar água potável a regiões historicamente desassistidas, o Governo do Amazonas, por meio da Cosama, reafirma seu compromisso com a universalização do saneamento e com a promoção da dignidade dos povos originários, respeitando suas realidades e fortalecendo políticas públicas sensíveis às particularidades da Amazônia.

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