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PT lança campanha ‘O Brasil não se entrega’ e associa tarifaço a Flávio Bolsonaro

Mobilização nacional responde ao tarifaço dos EUA, reforça a defesa dos empregos, da economia, do PIX e das riquezas estratégicas brasileiras

Foto: Reprodução.

O PT lançou nesta quarta-feira (22) a campanha “O Brasil não se entrega” como contraponto ao início do tarifaço de 25% imposto pelo governo de Donald Trump sobre os produtos brasileiros. A campanha nas redes sociais é repleta de imagens que associam o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao tarifaço e mostra o impacto da medida no cotidiano da população.

A ideia da mobilização é responder à ofensiva dos Estados Unidos com o debate da soberania nacional – eixo da estratégia de Lula na disputa pela reeleição –, traduzindo para os eleitores o que significa, na prática, o tarifaço sobre o emprego, as empresas e o agronegócio, por exemplo. Os vídeos também vão mostrar a importância de defender o Pix.

“Eu estarei com o pé na estrada para junto desse povo levantar a cabeça e não deixar entregar o Brasil aos americanos”, diz Lula em uma das gravações.

Pesquisas e monitoramentos de redes sociais feitos pelo Palácio do Planalto revelam que a associação de Flávio com as medidas de Trump têm sido um tiro no pé para a campanha bolsonarista. Por isso mesmo, a estratégia do PT consiste em explorar esse desgaste.

Um levantamento da Genial/Quaest divulgado na quinta-feira indicou que, após o tarifaço, o candidato do PL também passou a perder votos de eleitores do espectro ideológico da direita que hoje se mostram independentes.

Embora os vídeos da nova campanha do PT não sejam veiculados em canais do governo, o grupo de WhatsApp intitulado “Porta-Vozes do Lula” espalha a mensagem com declarações de ministros e até do vice-presidente Geraldo Alckmin.

“A nossa democracia e a nossa soberania são inegociáveis para que tenhamos um País com justiça, igualdade e oportunidade”, disse Alckmin no grupo de WhatsApp, nesta quarta-feira. “Por isso, precisamos continuar dialogando com serenidade. Aqui a porta está aberta para todos, independentemente de credo, idade, partido ou canto do País. O que nos une é muito maior: é o nosso compromisso com o Brasil”, completou o vice-presidente.

O governo não vai adotar agora medidas comerciais de reciprocidade contra os EUA. O processo deve sair do papel apenas depois das eleições porque, além de exigir consultas a diversos setores econômicos, não pode servir, na visão do Palácio do Planalto, para dar palanque a Flávio Bolsonaro.

O tarifaço que entra em vigor nesta quarta-feira atinge 18% das exportações brasileiras. “A ideia não é retaliação”, afirmou Alckmin, nesta terça-feira à noite, após uma série de reuniões com setores produtivos prejudicados pelas medidas anunciadas por Trump. “Se for olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: ‘Olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso’. Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno e da forma adequada”, observou ele.

Após um ano de investigação sobre temas que vão do desmatamento ilegal ao etanol, passando pelo Pix, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros. A investigação americana foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA retaliar práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas.

Lula quer mostrar, no entanto, que a medida adotada por Trump é política e tem como como pano de fundo as eleições de outubro no Brasil.

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