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Referência em medicina tropical no Amazonas, Marcus Lacerda é nomeado diretor da OMS

Dr. Lacerda assumirá o cargo no início de março de 2026, passando a liderar uma das frentes mais estratégicas da luta global contra infecções negligenciadas e doenças tropicais

Ele é nascido em Taguatinga (DF), mas com carreira consolidada em Manaus - Foto: Michell Mello

Um nome que já é referência na medicina tropical no Brasil e no mundo acaba de alcançar um dos postos mais importantes da saúde global. O médico infectologista Dr. Marcus Vinícius Guimarães Lacerda foi oficialmente nomeado Diretor do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais da Organização Mundial da Saúde (OMS), conhecido como TDR/WHO.

A nomeação foi feita pelo Diretor-Geral da OMS e publicada no site oficial do programa nesta quarta-feira (14). Dr. Lacerda assumirá o cargo no início de março de 2026, passando a liderar uma das frentes mais estratégicas da luta global contra infecções negligenciadas e doenças tropicais que afetam milhões de pessoas, especialmente em regiões vulneráveis como a Amazônia.

O Special Programme for Research and Training in Tropical Diseases (TDR) é um programa patrocinado pela OMS e parceiros globais (UNICEF, PNUD e Banco Mundial), responsável por orientar pesquisas, treinamentos e estratégias de implementação que influenciam diretrizes internacionais de combate às principais doenças tropicais.

Na prática, o TDR atua para:

  • Ampliar a pesquisa em doenças negligenciadas como malária, dengue, leishmaniose e outras;
  • Apoiar sistemas de saúde em países de baixa e média renda;
  • Desenvolver políticas baseadas em evidências que moldam diretrizes da OMS e governos.
Pesquisador Marcus Lacerda reúne reflexões sobre a pandemia em livro
Relatos semanais do médico infectologista e pesquisador Marcus Lacerda,conhecido pelo estudo que refutou a cloroquina como fármaco eficaz contra aCovid-19, estão no livro ‘Quarentena no Rio Negro: Semanário Sobre a Pandemia deCOVID-19 na Amazônia’. Na obra, reflexões sobre o impacto da doença na…

Da Amazônia para o mundo

Nascido em Taguatinga (DF), mas com carreira consolidada em Manaus, Marcus Lacerda construiu sua trajetória profissional no estudo e enfrentamento da malária e outras doenças tropicais endêmicas da região amazônica, contextos que hoje representam desafios centrais da saúde pública global.

Ele é graduado em Medicina, infectologista e pesquisador reconhecido por sua liderança em estudos clínicos e implementação de políticas de combate ao Plasmodium vivax, o parasita que mais causa malária na América Latina. Sua experiência inclui coordenação de centros de pesquisa no Amazonas e papel ativo em conselhos internacionais de saúde.

Em comunicado à imprensa, Lacerda declarou estar “honrado e animado em liderar o TDR”, reforçando o compromisso de fortalecer a capacidade local de pesquisa e traduzir evidências científicas em impacto real nas comunidades mais afetadas por doenças negligenciadas.

Atuação decisiva na pandemia

Durante a pandemia de Covid-19, Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda teve papel central no enfrentamento da crise sanitária no Amazonas, um dos estados mais duramente atingidos pela doença no Brasil.

À frente de pesquisas e análises clínicas realizadas em Manaus, ele se destacou nacional e internacionalmente pela defesa intransigente da ciência, pelo combate à desinformação e por alertas precoces sobre o colapso do sistema de saúde na região. Marcus Lacerda foi uma das vozes mais firmes contra o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina, e atuou diretamente na produção de evidências científicas que embasaram decisões médicas e políticas públicas.

Seu posicionamento técnico, mesmo diante de forte pressão política, ajudou a preservar protocolos baseados em evidências e projetou o Amazonas como centro relevante de pesquisa clínica em doenças infecciosas durante a pandemia. A atuação consolidou sua reputação como liderança científica comprometida com a saúde pública e com populações vulneráveis — credenciais que hoje o levam a um posto estratégico na Organização Mundial da Saúde.

‘A ciência precisa ser respeitada, ou a sociedade pagará o preço da ignorância’, diz Dr. Marcus Lacerda
“A Ciência não tem respostas rápidas, mas ainda é a única e melhor forma de guiar nossas atitudes frente ao caos. Pessoas com medo da morte aceitam qualquer alternativa de medicação ou informação que lhes traga esperança.”
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