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Caiado diz que não sabe se 8 de Janeiro foi tentativa de golpe

Presidenciável disse que caso é 'questão de interpretação' e relativizou ações golpistas ligadas a Jair Bolsonaro

Foto: Agência Senado

O presidenciável pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quarta-feira (26) não saber se o 8 de Janeiro foi tentativa de golpe no Brasil. O candidato disse que o caso "é questão de interpretação" e relativizou ações golpistas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem tem prometido uma anistia.

"Eu não sei. Eu não estava lá dentro. Eu não estava convivendo lá dentro", afirmou Caiado ao ser questionado por jornalistas se a tentativa de golpe de Estado ocorreu.

A fala se deu durante sabatina promovida pelo jornal O Globo, Valor e CBN como parte de série com os presidenciáveis nas eleições de 2026.

Perguntado mais uma vez, o político afirmou que classificar o ato como golpe ou não era "questão de interpretação". Ele também relativizou os atos ocorridos sob Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) entendeu que o ex-presidente liderou a trama golpista.

Caiado também colocou em dúvida a ação do governo Lula (PT) diante do 8 de Janeiro. Em movimento comum entre bolsonaristas, ele insinuou que o presidente teria demorado para agir diante dos ataques. O presidenciável pelo PSD também afirmou que vê golpe "com Forças Armadas" e citou ações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) para questionar se elas também não seriam atentados golpístas.

"Eu vou anistiar todo mundo e ninguém vai falar nesse assunto mais", afirmou na sabatina. O político também negou que o STF possa declarar uma eventual anistia dada por ele como inconstitucional, embora a corte possa fazê-lo, se provocada.

"Eu tenho autoridade popular de ter chegado e não ter omitido isso [que daria uma anistia]. Isso não faz parte de uma caixa preta de campanha", justificou.

Na sabatina, Caiado também falou que o presidenciável Flávio Bolsonaro não explicar gastos relacionados ao filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, é "desrespeitar a inteligência do povo brasileiro".

Ele disse ter dado a Flávio "direito de defesa" e não ter feito um pré-julgamento no caso sobre a negociação de dinheiro com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Afirmou, entretanto, que Flávio não se explicou e falou em "página virada" sem dar detalhes.

"É desrespeitar a inteligência do povo brasileiro [dizer que caso Dark Horse é página virada]. Você não tem o direito de ser um candidato à Presidência da República e se negar a dar esclarecimentos nos quais você está envolvido nele. Você tem que esclarecer para o seu eleitor e para o cargo que você vai assumir", afirmou.

Ainda na sabatina, ele sinalizou que uma reforma da previdência não seria prioridade em seu governo. "A reforma da previdência será tratada no momento em que nós, primeiro, limparmos a casa. No primeiro momento, eu não vou penalizar aposentado nem trabalhador", disse.

O político tem afirmado que pretende reduzir as despesas públicas, atrelando-as, no máximo, a 50% do PIB (Produto Interno Bruto), corrigida a inflação. Questionado por jornalistas como pretende diminuir as despesas, o goiano não tem detalhado o plano.

Segundo ele, por não ter chegado ainda à Presidência, não consegue "examinar o paciente" para saber as medidas efetivas que vai tomar.

As sabatinas foram abertas na terça-feira (25) com o candidato do Novo, Romeu Zema. Na quinta-feira (27), recebe Renan Santos (Missão), seguido, na sexta-feira (28), por Augusto Cury (Avante). O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também foram convidados, mas não aceitaram o convite, segundo os organizadores.

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