
Após um acordo com a oposição para derrubar o veto do presidente Lula à Dosimetria, que beneficia a camarilha de golpistas e o chefe da facção, Jair Bolsonaro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), engavetou a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Foi uma troca, urdida mais ao menos assim: “Você rejeitam a indicação de Jorge Messias ao STF, derrubam o veto presidencial do Projeto de Lei da Dosimetria e eu não pauto a CPI do Master”. Ficou claro que o acordo foi para poupar parlamentares que estão envolvidos no escândalo de corrupção comandado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e beneficiar o presidiário Bolsonaro.
Os acontecimentos da véspera do Dia do Trabalho confirmaram que para pautar o PL da Dosimetria, Alcolumbre articulou com a oposição de enterrar a CPI do Master. Dito e feito: como havia prometido ele ignorou a leitura do requerimento, rito obrigatório para a instalação dos trabalhos.
Numa espécie de “reprise” da bizarra sessão do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, parlamentares da direita se revezaram ao microfone fazendo da anistia aos golpistas uma bandeira falsamente justa e de interesse nacional. O lamentável é que, infelizmente, ainda tem gente que pensa assim.
O golpe continua
Na sessão desta quinta-feira (3) que derrubou o veto de Lula, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) traduziu muito bem o que significa a artimanha de Alcolumbre e seus asseclas da direita: a continuação do golpe que não conseguiam dar com o 8 de janeiro.
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— Esta sessão lamentavelmente envergonha o Congresso Nacional. O recado que está sendo dado ao povo e ao Brasil é o de que golpe é aceitável, que podemos manter uma história de rupturas porque o Congresso alivia –, disse a senadora.
Anistia para velhinhas...

Feghali também alertou que é necessário impedir que acordos de blindagem submetam a democracia aos interesses de quem está sendo denunciado, investigado e pode ser condenado pelo STF.
... uma ova!
— O projeto da dosimetria, não é uma anistia para velhinhas presas; é para anistiar Bolsonaro e os militares de alta patente que tramaram um golpe de Estado e a abolição do Estado democrático de direito. Isso não é aceitável! – detonou.
Congresso da hipocrisia
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) também não deixou por menos. De maneira contundente ela se manifestou contra a validação da anistia. Segundo a parlamentar, o parlamento brasileiro virou “território da hipocrisia”, porque vossas excelências nunca se preocuparam com “aquela massa de manobra que trouxeram para quebrar os poderes e se postarem à frente dos quartéis”.
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— Vocês só se movimentam pelos corruptos da família Bolsonaro. Vocês só se movimentam quando o banco Master se torna realidade e o BolsoMaster chega muito próximo daquilo que vocês representam.
Votos contraditórios

Continua sem resposta ou explicação lógica os votos dos senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD) a favor da derrubada do veto do presidente Lula à dosimetria, uma anistia disfarçada que livra a cara dos golpistas de 8 de janeiro e do chefe, Jair Bolsonaro.
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O questionamento é que tanto Aziz quanto Braga são da base aliada de Lula. E, justiça seja feita, o presidente atende a todos os seus pleitos em defesa do Amazonas. Logo é um voto injusto. Não é não?
Página virada
Já em relação à rejeição do nome do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, Omar Aziz se limitou a dizer que a decisão do Senado é soberana e “deve ser respeitada”.
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— Não tem jeito. Vamos fazer o quê? A gente pode concordar ou discordar de uma coisa, mas a partir do momento que já aconteceu o fato, não tem mais o que discutir”, avaliou Omar Aziz.
Deu ruim
Diferente da votação contra o veto à dosimetria, Omar e Braga trabalharam pela aprovação do indicado por Lula.
Mas também não deu, Messias levou cacete. Assim como Lula levou a pior em 24 horas.

Ódio ao Lula
Já o senador bolsonarista Plínio Valério (PSDB) revelou que trabalhou pela rejeição a Messias não por ele ser quem é, mas pelo ódio que ele (Plínio) nutre por Lula.
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— Quando o Messias me visitou no gabinete, eu disse a ele que o problema não era pessoal, pelo que ele representa. E ele representa o governo do PT.
Outro lulista, não!
Para o tucano de Eirunepé, oposição no Senado se mobilizou para impor uma derrota ao governo federal.
— Para a oposição, a entrada de Messias na Corte significaria mais um lulista lá dentro –, disse o parlamentar de extrema-direita.
O povo quer saber
Como explicar o fato de Manaus ser uma cidade bolsonarista se o dito cujo nunca fez nada pelo Amazonas quando esteve no poder? Ao passo que Lula fez muito e continua fazendo?
ÚLTIMA HORA
FLÁVIO SUBIU NO SALTO – Articulista de O Globo, Bernardo Mello Franco alerta que Flávio Bolsonaro já se considera eleito

Como é de praxe quando se trata de bolsonaristas, o senado Flkávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, se empolgou com as vitórias da extrema-direita no Congresso esta semana, e já cantou vitória antes das urnas além de decretar o “fim do governo” Lula. Esqueceu a velha máxima do futebol, o “jogo só acaba quando termina”.
Em artigo publicado no jornal O Globo, Bernardo Mello Fraco chama a atenção para o fato que o filho Nº 1 do imbroxável Jair “cantou vitória antecipada nas eleições de outubro”. “O governo Lula acabou”, decretou, após a reprovação de Jorge Messias. A soberba é tamanha que ele teve a pretensão de dizer que já tem “vários nomes” para indicar ao Supremo.
“Ao subir no salto, o filho de Bolsonaro passa a impressão de que já se considera eleito. A soberba pode cobrar um preço alto à sua campanha”, avisa Mello Franco.
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Na quinta-feira, após a sessão que derrubou o veto de Lula no Congresso, Flávio rachadinha escancarou que o famigerado PL da Dosimetria foi apenas um passo para garantir impunidade aos golpistas. A meta é emplacar uma anistia que tire Jair da prisão até o fim do ano, “para que ele possa subir a rampa comigo”. Será?
ORGULHO

Os acreanos estão orgulhosos. A modelo acreana Gabriely Dobbins, de 19 anos, foi anunciada como o novo rosto da Gucci, uma das marcas mais conhecidas da moda de luxo. A novidade foi compartilhada pela própria modelo nas redes sociais.
Nascida em Sena Madureira, no interior do Acre, Gabriely é descendente do povo indígena Huni Kuin (Kaxinawá). Ela vem ganhando espaço fora do Brasil desde 2025, quando começou a participar de desfiles e campanhas internacionais.
Antes de chegar à Gucci, a modelo já havia trabalhado com marcas como Lacoste, Emporio Armani e Etro, além de estrear na Paris Fashion Week desfilando com exclusividade para a Chloé.
VERGONHA

Daniela Mercury e Mara Maravilha estão pra sair no tapa. Depois de a cantora baiana insinuar que o artista Edson Gomes
teria agredido a esposa, Mara Maravilha entrou na briga e fez duras críticas, chegando a xingar Daniela e pedir desculpas públicas por tê-la apresentado na televisão no início da carreira. Durante participação no programa Chupim, da Rádio Metropolitana, ela voltou a atacar: disse sentir vergonha por ter ajudado Daniela a ganhar visibilidade e criticou sua postura atual. Segundo Mara, o talento da artista acaba sendo ofuscado por atitudes que considera desrespeitosas.
—Daniela só age por interesse financeiro. Ela só participa de eventos como a Parada LGBT quando há cachê envolvido –, acusou a apresentadora.
OUTRAS PALAVRAS

“A POLÍTICA É UMA GUERRA SEM DERRAMAMENTO DE SANGUE. E A GUERRA É A POLÍTICA COM DERRAMAMENTO DE SANGUE”, Mao Tsé-Tung