
Pré-candidato a governo do Estado, o senador Omar Aziz (PSD) reservou para sexta-feira da paixão o anúncio de sua candidata a vice-governador. E foi buscar o nome na sua memória de estudantes – a deputada estadual Alessandra Campelo que na juventude, na década de 1980, militou no movimento estudantil, o mesmo caminho por onde começou, só que em épocas diferente. Tanto ela quanto são remanescentes do PcdoB. Depois desses anos rebeldes Omar entrou na política. Passou pela Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, prefeitura, governo estado e senado federal.
Quando Alessandra se elegeu deputada, Omar já era vice-prefeito. Alternando o parlamento com cargos no secretariado do próprio Omar, Eduardo Braga e Wilson Lima, Campelo começou a ganhar destaque nas pautas em defesa das mulheres. Aos 51 anos, se considera uma política de Centro, e hoje, de comunista não tem mais nada.
— Aquela militância no PCdoB foi apenas arroubos da juventude! – disse ela, num discurso que parece afinado com o de Aziz.
Um aceno à luta das mulheres
Omar disse que escolheu Alessandra porque ela é uma parlamentar combativa e com pautas muito importantes para as mulheres do Amazonas.
— Desde muito cedo ela se destaca na luta pelas mulheres e pelas pautas sociais do nosso estado. Tenho certeza de que vai ajudar muito o partido nas eleições deste ano —, disse Omar na saudação à parlamentar –, destacou o senador.
Filiação
Alessandra, que pertencia ao Podemos, na mesma sexta-feira assinou a ficha de filiação ao PSD.
Ato contínuo foi confirmada como a vice da chapa de Aziz.
Lula no palanque
Mesmo sabendo que o pré-candidato ao governo apoia o governo Lula, Alessandra prefere não se identificar como uma apoiadora da campanha do petista à reeleição.
— E se durante a campanha o Lula estiver no palanque?—, pergunta o colunista.
— Isso a gente vai decidir lá frente –, desconversa.
*
No entanto, a deputada avisa que não é de esquerda nem de direita, e sim defensora das pauta do Amazonas.
— Pra se ter uma ideia conquistei muita coisa para o estado no governo Bolsonaro. Principalmente com a então ministra Damares Alves (de extrema-direita) –, diz La Campelo.
Vice é sério
A escolha de um candidato a vice é coisa séria. Muitos governantes, ao longo de nossa história, se arrependeram amargamente da escolha errada.
O exemplo disso é a própria presidente Dilma Rousseff, traída por seu vice, Michel Temer (MDB), que se aliou ao então presidente da Câmara , Eduardo Cunha-RJ) e ao então candidato Jair Bolsonaro para armar o impeachment da presidente.
Fila pra vice
Antes de confirmar Alessandra, Omar Aziz enfrentou pressão de tudo que é lado parta engolir “goela abaixo” possíveis vices.
Engrossaram a lista a filha do ex-prefeito David Almeida (Avante), Fernanda Aryel, o presidente Assembleia, Roberto Cidade (UB) e até nomes bolsonaristas, como o vereador Sargento Salazar.
Quatro 4 vices governaram o país
Como observamos nas primeiras notas de D&F a escolha de um candidato a vice é coisa séria.
Lembre-se, por algum motivo fora da curva ele um dia poderá assumir o cargo.
Num período de 57 anos, o país foi comandado por quatro vices. João Goulart, José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer.
Eu sou você amanhã
Ao assumiram o poder em circunstâncias distintas, eles acabaram governando o país por mais de uma década.
É só somar o tempo de mandato que eles “herdaram” por força do destino.
*
Vide a tragédia de Tancredo Neves, morto às vésperas de tomar posse como presidente do Brasil, o que colocou José Sarney no cargo.
Rachas, pernadas e traições
No Amazonas também a história de aliados políticos (vices ou não) nem sempre teve um final feliz.
É só verificar a trajetória política desses homens que governaram o estado e a Cidade de Manaus. Quer ver?
Quem traiu quem?
Plínio Coelho lançou Gilberto Mestrinho na política e Gilberto rompeu com Plínio; Gilberto lançou Amazonino Mendes e Amazonino rompeu com Gilberto; Amazonino lançou Eduardo Braga e Braga rompeu com Amazonino; Braga lançou Omar e, em determinado momento Omar rompeu com Braga. Omar lançou José Melo e deu no que deu...
*
Na prefeitura, Manoel Ribeiro se elegeu com apoio de Amazonino. Eleito governador, Amazonino decretou intervenção na administração Manoel Ribeiro; Arthur Virgílio Neto fez de Hissa Abraão seu vice e Hissa rachou com Arthur; Alfredo teve como vice Omar Aziz e os dois racharam.
Juntos e misturados
Isso não significa dizer que esse tipo de “racha” tenham sido perene.
Muitos desses caciques da política deixaram a vergonha de lado e se aliaram novamente para ganhar uma eleição.
A dubiedade de Menezes
E coronel Menezes, hein? Depois de dizer diabo de David Almeida (Avante) foi se filiar justamente no partido do ex-prefeito, o Podemos.
*
Mas o ex-compadre de Bolsonaro é mesmo dúbio. Foi colocado pra escanteio por Jair Bolsonaro – que preferiu apoiar Alberto Neto (PL) para prefeito – , quando Menezes era o candidato a vice de Roberto Cidade (União).

Quero que ele se f(*)
Na época em que era candidato a vice-prefeito, relembre o que ele disse de David.
— Fui criado no Alvorada [zona oeste] e ele no Morro [zona sul]. Ele precisa saber que quem manda é um sem mandato. Eu quero que ele se foda! – disse, em áudio que vazou no dia 31 de março de 2022, por ironia do destino, dia do golpe militar de 1964.
Queimou David...
Nos áudios que circularam nas redes sociais, o coronel Menezes chegou a comentar que estava dando “porrada no prefeito, direto, dando umas porradinhas nele”, para que o prefeito o respeitasse.
E se vangloriou de sabotar a aliança de David com o “compadre Jair Bolsonaro”.
...pro Bolsonaro
— Tirei ele da mesa do presidente para o cara sentir o rombo no casco. Eu tirei mesmo e mandei colocar na mídia que foi eu que tirei. Eu que tirei a bancada [federal], que é para ele entender e respeitar.
Trabalho por aplicativo
A maioria dos trabalhadores brasileiros que atuam em plataformas digitais não busca necessariamente um emprego com carteira assinada. O principal valor buscado por esse grupo é a possibilidade de administrar o próprio tempo e ampliar a renda com mais liberdade.
*
É o que pensa o ex-deputado Marcelo Ramos (PT), hoje da vice-presidente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec).
Admirável mundo novo

Apesar de apoiar o presidente Lula (PT), Marcelo Ramos fez críticas ao governo e à esquerda que, segundo ele, ainda compreenderam as mudanças provocadas pelas novas tecnologias.
Na sua opinião, os atores da esquerda brasileira precisam abandonar a péssima mania de querer “escolher o sonho dos outros”.
*
— Eles precisam entender que o mundo mudou e que novas tecnologias mudaram a relação entre o homem e o trabalho. Muitos trabalhadores brasileiros hoje não querem um trabalho de carteira assinada, querem um trabalho que garanta autonomia, liberdade, flexibilidade.
Sonho meu
Para Ramos, esses trabalhadores acreditam que empreender ou ter um trabalho autônomo pode garantir uma renda maior do que o trabalho formal, “trazendo junto um sonho de prosperidade e tempo de qualidade com a família, para o lazer, para o estudo”.
*
— Se eles acreditam nisso, se eles sonham com isso, certos ou errados, quem somos nós para querer sonhar os sonhos deles?, – questionou o petista, pré-candidato ao Senado Federal.
Olho nu cunhado

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes para que Carlos Eduardo Antunes Torres, irmão de criação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, seja autorizado a atuar como cuidador durante o período de prisão domiciliar.
*
Se eu fosse o Xandão já ficava cabreiro. Salvo engano, o cunhado de Bolsonaro já trabalhou numa oficina mecânica e entende pra caramba de ferro de solda.
MPF contra o Amazonas
Ministério Público Federal (MPF) ajuizou três ações civis públicas contra projetos de crédito de carbono no sul do Amazonas por violarem direitos de comunidades indígenas e tradicionais.
*
As medidas buscam a anulação dos créditos gerados e o pagamento de indenizações por danos morais e materiais aos povos indígenas e às comunidades tradicionais.
R$ 100 milhões em créditos de carbono
Também pedem a restituição dos valores obtidos com as vendas às comunidades que foram afetadas.
De acordo com as ações, as empresas teriam obtido lucros indevidos a partir da exploração de territórios de uso coletivo. A estimativa é que os empreendimentos geraram mais de R$100 milhões em créditos de carbono.
ÚLTIMA HORA
NÃO HONROU A MEMÓRIA DO BISAVÔ – André Kubitschek, bisneto de JK, se filiou ao Partido Liberal (PL) do golpista Bolsonaro

André Kubitschek, bisneto de Juscelino Kubitschek, se filiou ao Partido Liberal (PL) após deixar o Partido Social Democrático (PSD). Ele irá disputar as eleições no Distrito Federal pela legenda de Jair Bolsonaro.
Perseguido pela ditadura militar – que Bolsonaro defende –, o presidente Juscelino jamais apoiaria um partido de golpista, de extrema-direita. E não é possível que o bisneto não saiba disso. A essa altura, JK deve estar revirando no túmulo.
Ex-integrante do governo de Ibaneis Rocha, como secretário de Juventude, André teve a filiação avalizada por Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e a deputada federal Bia Kicis, que destacaram o reforço político para a sigla.
*
No ato de filiação, André destacou valores do partido como “família, transparência, bom senso trabalho, equilíbrio fiscal e respeito absoluto à nossa Constituição”.
ORGULHO

Uma cachorrinha viralizou esta semana quando invadiu a encenação da Paixão de Cristo para proteger Jesus, em Sapiranga (RS). Quando ele estava sendo chicoteado a cadela se meteu na frente do soldado romano pra defender o ator.
No dia seguinte ela foi adotada por um homem chamado Eliseu. Mas a família da cachorrinha a reconheceu no vídeo e entrou em contato com Eliseu pedindo a bichinha de volta. Ele compreendeu a situação da cadela desaparecida e permitiu que ela voltasse ao verdadeiro lar.
VERGONHA

Os presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) que defendem o de 64 e saíram da toca e se sentiram livres, para festejar o 31 de março. Nos Estados Unidos, Flávio ficou de joelhos e implorou para que os EUA voltem a impor as sanções contra o país:
—Apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente.
Já Caiado, ao lançar a candidatura, prometeu que seu primeiro ato como presidente eleito será a “anistia ampla, geral e irrestrita”, incluindo para o chefão do golpe, Jair Bolsonaro. Ele também prometeu soltar os bandidos que destruíram os prédios dos Três Poderes no 8 de outubro.
OUTRAS PALAVRAS

“Não devemos temer os confrontos... Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas”, Charles Chaplin