O espetáculo “A Mulher que Desaprendeu a Dançar” está de volta aos palcos e será apresentado nesta sexta-feira (11/9), às 19h30, no Teatro ICBEU, no Centro de Manaus. O solo da atriz Carol Santa Ana, realizado em parceria com o Ateliê 23, integra a programação cultural do festival Sou Manaus Passo a Paço 2026. A classificação indicativa é de 16 anos e a entrada é gratuita.
Criado em 2021, o espetáculo ocupa um lugar particular na trajetória de Carol Santa Ana. A montagem marcou o retorno da atriz ao teatro após a maternidade e, cinco anos depois, volta ao palco em um momento que guarda semelhanças com aquele período: após o nascimento do segundo filho, a artista vive novamente um processo de retomada da carreira.
“A gente está muito feliz com esse retorno. Esse trabalho tem um lugar muito especial no meu coração e na minha história, pois foi o meu retorno ao teatro depois da maternidade, em 2021. Foi um momento em que eu estava tentando me resgatar como artista, reencontrar esse lugar em mim”, conta Carol.
A atriz explica que a decisão de remontar o espetáculo surgiu justamente durante esse novo momento de reencontro com o palco.
“Eu tive meu segundo filho e, embora já tenha voltado ao palco com uma apresentação de ‘Helena’, estou nesse processo de retomada, ensaiando uma peça nova. E a gente sentiu que era o momento para trazer ‘A Mulher’ de volta”, afirma.
Uma mulher que reaprende a dançar
“A Mulher que Desaprendeu a Dançar” utiliza a ideia de desaprender a dança como metáfora para acompanhar uma artista que canta, dança e atua enquanto revisita experiências e reaprende a dançar ao longo da peça. Em cena, a protagonista surge camuflada e, pouco a pouco, revela sua identidade ao público.
O cenário parte de um elemento aparentemente simples: uma mesa de madeira. A partir dela, diferentes objetos e memórias vão surgindo conforme a personagem reconstrói sua trajetória. Algumas lembranças são revividas, outras narradas e outras transformadas em sátira.
A ironia atravessa boa parte do espetáculo como recurso para abordar situações vividas pela protagonista, sobretudo episódios de violência provocados, em sua maioria, por homens em posições de poder.
Embora as experiências colocadas em cena encontrem identificação entre mulheres, a proposta também é falar diretamente aos homens e provocar uma reflexão sobre o impacto de suas ações sobre o outro, principalmente sobre as mulheres.
O espetáculo nasceu do desejo de Carol Santa Ana de encontrar uma voz própria depois de anos de experiências no teatro e na dança, passando por diferentes companhias e processos artísticos.
“Depois de muitos anos trabalhando com arte, passando por companhias e tendo a oportunidade de aprender e conviver com grandes nomes, senti a necessidade de falar com a minha própria voz”, relata.
Foi nesse processo que surgiu a parceria com Taciano Soares, diretor do Ateliê 23, responsável pela dramaturgia e direção do espetáculo.
“Ele fez isso de uma maneira muito bonita. Transformou aquela inquietação em dramaturgia e dirigiu o trabalho com a excelência e a sensibilidade que são tão características dos trabalhos dele. E eu, como atriz, fiz a minha parte: me entreguei, me coloquei à disposição do processo e confiei. E que bom que fiz isso, porque sinto a obra muito honesta”, afirma Carol.
Para a atriz, a parceria permitiu transformar experiências inicialmente particulares em questões capazes de encontrar eco na trajetória de outras mulheres.
“É uma parceria linda com o Ateliê 23. A gente se abraçou na ideia de concretizar esse projeto, que trazia questões muito particulares minhas, mas que, no fim, representava tantas outras mulheres”, destaca.
O reencontro com a obra
Para a apresentação no Sou Manaus Passo a Paço 2026, a montagem preserva a estrutura concebida originalmente. Segundo Carol, foram realizadas apenas pequenas intervenções e adaptações.
“O trabalho passou por pouquíssimas adaptações. São pequenas intervenções, microalterações, mas nada que comprometa ou modifique aquilo que é desde a sua estreia. A essência continua ali. O que queremos dizer também”, explica.
Cinco anos depois da criação, entretanto, a atriz acredita que a passagem do tempo modifica a relação dos artistas com aquilo que é levado novamente ao palco.
“Talvez seja justamente isso que torna essa volta tão especial: é o retorno da peça, só que diferente, porque não somos mais os mesmos. Acho muito bonito poder reencontrar uma obra depois de alguns anos e perceber que, mesmo sendo a mesma mulher em cena, a gente já não é mais a mesma pessoa de 2021, quando ela foi construída. Espero que o público aprecie”, finaliza Carol.
Serviço
O quê: Espetáculo “A Mulher que Desaprendeu a Dançar”
Quando: Sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Horário: 19h30
Onde: Teatro ICBEU – Avenida Joaquim Nabuco, 1.286, Centro
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: 16 anos