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Garantido volta a empolgar na segunda noite e apresentação é ‘abençoada’ pela chuva

Boi da Baixa do São José manteve o alto nível da estreia, apostou na força das toadas e encerrou a apresentação sob uma chuva comemorada pela torcida como um bom presságio.

Segunda noite do Garantido - Foto: Secom

Parintins – Nem o pajé tem o poder de antecipar o resultado que sairá da cabeça dos jurados. Mas, pelo que apresentou nas duas primeiras noites do 59º Festival Folclórico de Parintins, dificilmente o Garantido deixará escapar o título de 2026.

Em busca do bicampeonato, o boi da Baixa do São José voltou a apostar em um espetáculo enxuto, sem excessos, sustentado pela força de suas toadas, pela valorização da cultura amazônica e pela sintonia entre arena e arquibancadas.

Por volta das 23h deste sábado (27), o apresentador Israel Paulain já demonstrava confiança ao entrar na arena do Bumbódromo repetindo seu bordão:

— Te manca aí, te manca aí… meu boi chegou!

A resposta veio imediatamente das arquibancadas. A galera vermelha e branca cantou em coro as toadas mais populares do Garantido, incluindo clássicos que atravessam gerações, como “Boi de pano, como eu te amo / Boi de raça, o tempo passa…”.

— Sintonia perfeita: galera e Batucada! — comemorou Paulain.

Reforçando o vínculo com suas origens, o Garantido levou para a arena Maria do Carmo Monteverde, única filha viva de Lindolfo Monteverde, fundador do boi da Baixa do São José, em um dos momentos mais simbólicos da apresentação.

Outro ponto alto ficou por conta do amo do boi, João Paulo Faria. Dentro da proposta do tema ‘Parintins, Portal da Diversidade’, ele versou sobre a pluralidade amazônica, a sabedoria dos povos indígenas, a preservação da floresta e a necessidade de equilíbrio entre o homem e a natureza. Sem abandonar a tradição, aproveitou para provocar o rival.

— Depois da contagem, não tem contrário que aguente!

A relação harmoniosa entre o homem e a floresta também ganhou destaque em uma das alegorias, que homenageou os trabalhadores tradicionais da Amazônia — aqueles que retiram da natureza apenas o necessário para sobreviver, em uma convivência marcada pelo respeito e pela espiritualidade.

Já na madrugada de domingo (28), por volta de 0h30, uma chuva caiu sobre Parintins e acabou incorporada ao espetáculo. Israel Paulain classificou o momento como uma “bênção mandada do céu”, enquanto a torcida vermelha comemorava o temporal como mais um sinal de sorte para o boi de Lindolfo Monteverde.

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