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Justiça revoga prisão de sargento acusado de matar jovem em abordagem em Manaus

Decisão determina que o policial responda ao processo em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

Foto: Divulgação

O sargento da Polícia Militar Belmiro Wellington Costa Xavier, réu pela morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso durante uma abordagem policial em Manaus, teve a prisão preventiva revogada pela Justiça. A decisão é do juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus, e determina que o policial responda ao processo em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

O caso ocorreu na madrugada de 19 de abril de 2026, na rua 6, no bairro Alvorada I, zona Centro-Oeste de Manaus. Uma câmera de segurança registrou o momento em que o jovem é cercado e agredido pelos policiais.

Ao revogar a prisão, o magistrado entendeu que não persistem mais os motivos que justificavam a medida. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) não se opôs ao pedido.

Entre as condições impostas a Belmiro estão o monitoramento eletrônico, o recolhimento domiciliar das 18h às 6h, a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial e a proibição de se aproximar a menos de 200 metros de familiares da vítima e testemunhas. Ele poderá retornar à corporação apenas para funções administrativas, sem acesso a armas ou sistemas de segurança.

Na mesma decisão, o juiz determinou o arquivamento do processo em relação ao aluno soldado Hudson Marcelo Vilela de Campos, que também estava na viatura. Segundo o magistrado, não há elementos suficientes que comprovem sua participação no crime.

Em nota, o advogado Samarone Gomes, que defende Belmiro, afirmou que o policial é inocente e que sua conduta ocorreu em "estrito cumprimento do dever legal".

O que diz a denúncia

Segundo o Ministério Público, o sargento perseguiu Carlos André e atirou de dentro da viatura em movimento. O jovem, que pilotava uma moto, foi atingido, perdeu o controle do veículo e caiu. A denúncia afirma que ele estava desarmado e que, após a queda, ainda foi chutado pelo sargento.

O laudo do Instituto de Criminalística aponta que a vítima já havia parado a moto e estava fora dela quando foi baleada. Um inquérito da Polícia Civil confirmou que o disparo partiu de Belmiro e apontou que a arma usada pertencia a terceiros — por isso, o sargento também responde por porte ilegal de arma de uso restrito.

Relembre o caso

Familiares relatam que o rapaz foi abordado por volta das 2h45. A mãe da vítima contou que os policiais inicialmente disseram que o filho havia sofrido um acidente: "Falaram que ele tinha sofrido um acidente, colidido com a calçada e quebrado o pescoço. [...] A perícia chegou, virou o corpo e apontou o tiro que ele tomou no peito."

O irmão da vítima, tenente da PM, disse ter recebido outra versão dos policiais — a de que os disparos foram feitos para o alto. A família questiona como o tiro atingiu o peito do jovem.

O laudo preliminar do IML aponta que a morte foi causada por ferimento de projétil de arma de fogo, com lesão no pulmão.

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