
Ao abrir suas portas para um representante direto do grupo político que, quando esteve no poder, promoveu uma das maiores ameaças recentes à competitividade da Zona Franca de Manaus, a Honda “oferece palanque a um candidato que colocou em risco justamente o modelo econômico que permitiu à empresa crescer, investir e gerar milhares de empregos no Amazonas”.
Esse é apenas um trecho do editorial de autoria do jornalista Mário Adolfo Filho, publicado nesta sexta-feira (11) no portal marioadolfo.com.
E a bronca tem razão de ser.
Ao fazer bilu-bilu para o filho 01 de um ex-presidente que tentou, por diversas vezes, reduzir as vantagens competitivas da Zona Franca de Manaus, “há algo profundamente contraditório”, alerta o editorial.
“Não por causa de uma divergência partidária qualquer. Empresas recebem políticos de diferentes campos ideológicos e isso faz parte da democracia. O problema é outro: a Honda abrir suas portas para um representante direto do grupo político que, quando esteve no poder, promoveu uma das maiores ameaças recentes à competitividade da Zona Franca de Manaus.”
— E o que é pior: centenas de trabalhadores seguindo o candidato do PL na porta da fábrica, gritando o nome dele durante a visita. Uma vergonha! — protestou o vereador José Ricardo (PT), candidato a deputado estadual.
Estudem história, rapazes!
Vergonha também para o PT e para a CUT, que silenciaram diante da cena.
Se alguns desses operários, infelizmente desinformados, se dessem ao trabalho de folhear a história do sindicalismo no Amazonas, saberiam que foi dentro do Distrito Industrial de Manaus que ocorreu uma das grandes mobilizações grevistas do período final da ditadura militar.
E também foi de lá que saiu um deputado federal eleito depois desse movimento: Ricardo Moraes, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e uma das lideranças da greve.
Essa é uma das cenas mais tristes que eu já vi: Flávio Bolsonaro desfilando dentro da Honda de Manaus como se tivesse alguma história de defesa da Zona Franca. A Honda deveria ter vergonha de servir de cenário para isso.
— Mário Adolfo Filho (@marioadolfo) September 11, 2026
Quando o governo do pai dele atacou os incentivos e… pic.twitter.com/eNrVHDs1qK
Desinformação ou ignorância?
E, se esses mesmos operários que estavam na porta da Honda fazendo bilu-teteia para Flávio “rachadinha” pesquisassem quem, de fato, fortaleceu e respeitou a Zona Franca de Manaus, descobririam que os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff adotaram medidas decisivas em defesa do modelo.
No primeiro governo Lula, um avanço importante foi a prorrogação da Zona Franca de Manaus até 2023.
Depois, no governo Dilma Rousseff, o prazo foi ampliado por mais 50 anos, até 2073 — uma das decisões mais importantes da história recente da ZFM.
Perguntar não ofende
Não se trata de defender partido ou jogar mais combustível na fogueira da polarização.
Trata-se de fazer justiça aos fatos.
Mas respondam depressa: como aplaudir quem atacou o modelo e esquecer quem tomou decisões concretas para protegê-lo?
Dormindo com o inimigo
Para quem não lembra — ou prefere esquecer —, em 2023, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, criticou as vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus durante a discussão da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Na ocasião, o senador do Rio de Janeiro questionou benefícios concedidos à Zona Franca e sustentou que determinados incentivos poderiam produzir distorções econômicas.
E agora a Moto Honda, políticos amazonenses e parte dos próprios trabalhadores do Polo Industrial resolvem dormir com quem, poucos anos atrás, questionava justamente as vantagens que sustentam o modelo.
Lula pela ZFM 1

No primeiro governo Lula, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 42, de 2003, que acrescentou dez anos à vigência dos incentivos da Zona Franca de Manaus.
O prazo, que terminaria em 2013, passou para 2023.
Foi uma medida constitucional importante porque garantiu mais uma década de segurança jurídica às empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus.
Lula pela ZFM 2
Durante o governo Lula também foram adotadas medidas relacionadas à estrutura e à atuação da Suframa.
Um exemplo foi o Decreto nº 6.372/2008, que aprovou uma nova estrutura regimental da autarquia e reafirmou sua finalidade de promover o desenvolvimento socioeconômico, atrair investimentos e estimular a capacitação tecnológica em sua área de atuação.
Além disso, houve atuação na definição dos Processos Produtivos Básicos (PPBs), fundamentais para que as indústrias possam usufruir dos incentivos fiscais da Zona Franca.
Dilma pela Zona Franca 1
Em 5 de agosto de 2014, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 83.
Como já dissemos, foi uma das decisões mais importantes de um governo federal em defesa do modelo Zona Franca de Manaus.
A emenda acrescentou 50 anos à vigência dos incentivos, fazendo o prazo passar de 2023 para 2073.
Isso representou uma enorme mudança na segurança jurídica do Polo Industrial de Manaus. As empresas deixaram de trabalhar com um horizonte relativamente curto e passaram a contar com garantia constitucional de longo prazo.
Dilma pela ZFM 2

A própria Suframa classifica a Emenda Constitucional nº 83/2014 como a quarta prorrogação do modelo Zona Franca de Manaus e registra que a medida acrescentou 50 anos ao prazo anterior.
Dilma pela ZFM 3
No mesmo ano, o governo Dilma também participou do processo que resultou na extensão dos incentivos das Áreas de Livre Comércio da Amazônia Ocidental até 2050, por meio da Lei nº 13.023/2014.
Amnésia política
Ontem, nossos “valorosos” operários do Polo Industrial, além de CUT, PT e políticos como Maria do Carmo (PL), Wilson Lima, Alberto Neto (PL), Plínio Valério (PSDB) e Alfredo Nascimento (PL), pareceram esquecer tudo isso.
Esqueceram, sobretudo, o que os governos Lula e Dilma fizeram para dar segurança ao modelo Zona Franca de Manaus.
Cospe no prato em que comeu

Entre os políticos que hoje aplaudem o bolsonarismo, Alfredo Nascimento, presidente estadual do PL, talvez viva uma das situações mais contraditórias.
Isso porque foi ministro dos Transportes durante os governos do PT comandados por Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Portanto, conhece muito bem as decisões tomadas naquele período em relação ao Amazonas.
Alfredo integrou os governos Lula a partir de 2004 e permaneceu no Ministério dos Transportes no início do governo Dilma, deixando o cargo em julho de 2011, em meio a uma crise política na pasta.
Assim caminha a humanidade
Hoje, Alfredo e outros políticos bolsonaristas do Amazonas preferem direcionar os refletores e o palanque para Flávio Bolsonaro, personagem envolvido em diferentes controvérsias e investigações ao longo de sua trajetória política.
Entre elas estão o conhecido caso das “rachadinhas”, questionamentos envolvendo sua loja de chocolates e homenagens concedidas, quando deputado estadual, a personagens posteriormente associados às milícias do Rio de Janeiro.
Como diria o lendário governador Amazonino Mendes:
— Assim caminha a humanidade.
Deu ruim para Maria
A campanha de Maria do Carmo ganha mais um problema.
Agora, a pedra no caminho é a prisão de Rodrigo Soares, conhecido como “RC Soares”, apontado pelo portal AM1 como integrante da coordenação de sua campanha.
Ele foi preso durante uma operação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na última quinta-feira (3).
Os agentes apreenderam aproximadamente 2,5 toneladas de maconha do tipo skunk escondidas em dois caminhões dentro de um imóvel relacionado ao investigado, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.
Pra onde foi a grana, Silas?
O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) entrou no radar do Tribunal de Contas da União (TCU).
O tribunal busca esclarecer a aplicação de R$ 43,48 milhões em Emendas Pix mapeadas como indicações do parlamentar entre 2021 e 2026.
Somente para o município do Careiro foram destinados R$ 5,05 milhões, recursos que agora estão sendo submetidos a uma Tomada de Contas Especial depois que a fiscalização apontou indícios de superfaturamento e problemas na rastreabilidade do dinheiro público.
ÚLTIMA HORA
AGORA TODO MUNDO QUER ZERAR A FILA DO SISREG
Candidatos apresentam propostas para reduzir ou acabar com a espera por consultas, exames e cirurgias
Eles tiveram mandatos e ocuparam cargos importantes no Estado, mas é justamente em época de eleição que o Sisreg volta a ocupar o centro das promessas de campanha.
Wilson Lima promete enfrentar a fila. David Almeida (Avante) promete zerá-la. Omar Aziz (PSD) diz que pretende acabar com a espera em 100 dias. Até o coronel Menezes, candidato a deputado federal, colocou o problema entre suas prioridades.
Omar Aziz, candidato ao Governo do Amazonas, afirmou que pretende zerar a fila do Sisreg nos primeiros 100 dias de uma eventual gestão.
Segundo ele, a meta é eliminar a espera por consultas, exames e cirurgias por meio de investimentos na rede pública, mutirões de atendimento e parcerias com a iniciativa privada.
O governador Roberto Cidade (União Brasil), candidato à reeleição, afirma que seu governo já realiza mutirões de exames e consultas para acelerar o atendimento e reduzir as filas.
Wilson Lima, por sua vez, defende a substituição do atual modelo do Sisreg. Segundo o candidato, a intenção é criar alternativas mais rápidas e eficientes para o agendamento de consultas e exames no Estado.

David Almeida (Avante), candidato ao Governo do Amazonas, prometeu zerar a fila do Sisreg em até um ano caso seja eleito.
Entre as propostas apresentadas estão parcerias com clínicas particulares e com o Hospital Beneficente Portuguesa para a realização de exames, como endoscopias, tomografias e colonoscopias, além de procedimentos cirúrgicos.
Durante agenda de campanha pelo Estado, o coronel Menezes também afirmou que a redução das filas deve ser tratada como prioridade por quem pretende representar o Amazonas em Brasília.
ORGULHO
Isso, sim, é notícia boa.
O Brasil conseguiu reduzir a taxa de analfabetismo para menos de 5% pela primeira vez na série histórica da PNAD Contínua.
O índice caiu de 5,3% para 4,9% em 2025 entre os brasileiros com 15 anos ou mais.
Na prática, são quase 600 mil pessoas a menos sem saber ler e escrever.
O resultado é o menor desde 2016, quando começou a atual série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE. Naquele primeiro levantamento, a taxa era de 6,7%.

VERGONHA
Apoiadores começaram a deixar o local de um comício de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, enquanto o senador ainda discursava em Manaus, nesta sexta-feira, 11 de setembro.
O momento em que parte do público começa a se dispersar durante a fala do presidenciável foi registrado pelo portal Metrópoles e publicado nas redes sociais.
As imagens repercutiram e provocaram debate sobre a participação do público no ato político realizado na capital amazonense.
Flávio Bolsonaro esteve no Amazonas para cumprir agenda eleitoral ao lado de lideranças locais do PL, entre elas a candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair.
🚨 FLOPOU
— BRASILULEI (@brasilulei) September 12, 2026
Nem os Bolsonaristas aguentam mais as mentiras de Flávio Bolsonaro!
Hoje, durante a fala de Flávio em Manaus, apoiadores começaram a deixar o local enquanto ele ainda falava.
Acabou pra você, Rachadinha.
BOLSOMASTER DA CORRUPÇÃO
FLÁVIO É VORCARO
PREFIRO LULA 13 🇧🇷⭐️ pic.twitter.com/GNDGpFbjCy
OUTRAS PALAVRAS

“Dez anos atrás eu rachava uma pedra de gelo ao meio com o jato do mijo. Hoje não empurro nem bola de naftalina.” (Ary Barroso)