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Dito & Feito - Vai ficar por isso mesmo?

Neto do ditador João Figueiredo, que não passa de um filhote da ditadura chama jornalistas de “putas pagas” e diz que algumas nem “merecem ser estupradas”.

Charge de Mário Adolfo
marioadolfoemtempo@gmail.com

Cinco dias depois de o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo — neto do general João Baptista Figueiredo, último presidente da ditadura militar — chamar jornalistas de “putas pagas” e “prostitutas de alma”, parece que a Justiça brasileira, a Polícia Federal ou quem quer que seja ainda não encontrou uma forma de responsabilizar o foragido pelos ataques misóginos, criminosos e ofensivos à liberdade de imprensa.

Enquanto isso, Paulo Figueiredo continua, dos Estados Unidos, alimentando o rebanho bolsonarista por meio de suas transmissões na internet.

Aliado dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e radicado em Miami, ele voltou ao centro de mais uma controvérsia ao atacar jornalistas e veículos de comunicação brasileiros durante um programa transmitido nos Estados Unidos.

Figueiredo, assim como o avô, parece não conhecer limites, princípios, ética ou respeito pelo ser humano. Principalmente pelas mulheres, por quem demonstra profundo desprezo.

Criado sob as botas da ditadura e da censura, não aprendeu a conviver com a democracia. Por isso, odeia a imprensa livre, assim como boa parte de seus parceiros bolsonaristas.

Porta-voz da extrema direita, distribuiu ofensas à GloboNews, à Folha de S.Paulo, ao Poder360 e a diversos profissionais da imprensa.

Também acusou jornalistas, sem apresentar provas, de receber recursos públicos para defender o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não merece ser estuprada”

Durante a mesma transmissão, Paulo Figueiredo atacou a jornalista Miriam Leitão utilizando ofensas relacionadas à violência sexual e insinuou que ela precisaria recorrer à prostituição caso deixasse o Grupo Globo.

Referindo-se à jornalista como “Miriam Leitão”, em tom pejorativo, afirmou:

— É mais uma que não merece ser estuprada! — vomitou, numa referência ao episódio de violência sofrido por ela durante a ditadura militar.

Rindo da “gracinha” do Jair

Figueiredo também saiu em defesa das antigas declarações de Jair Bolsonaro, quando o então deputado disse que Maria do Rosário “não merecia ser estuprada”, classificando aquele episódio como “genial”.

Miriam foi torturada…

Desta vez, o alvo escolhido foi justamente uma mulher que, aos 19 anos de idade e grávida de um mês, foi presa, despida, ameaçada de estupro e torturada durante a ditadura militar, cujo último presidente foi justamente seu avô, João Baptista Figueiredo.

…E presa com uma jiboia

Era 1972, um dos períodos mais duros da ditadura.

Em um quartel do Espírito Santo, Miriam Leitão sofreu graves abusos físicos e psicológicos, entre eles o de permanecer em uma cela escura com uma jiboia.

Atacar Miriam Leitão utilizando essa lembrança não é apenas misoginia. É um ataque à memória das vítimas da ditadura e à própria história da democracia brasileira.

Misógino foragido

Foragido da Justiça brasileira, Paulo Figueiredo vive atualmente nos Estados Unidos, onde é alvo de investigações relacionadas aos atos antidemocráticos e às articulações golpistas após as eleições de 2022.

Seu nome também aparece em apurações ligadas à tentativa de pressionar autoridades norte-americanas a aplicar sanções com base na Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.

Nota de repúdio

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da Fenaj divulgaram, nesta quarta-feira (29), uma nota de repúdio às declarações de Paulo Figueiredo.

No documento, as entidades afirmam que as declarações representam uma agressão não apenas às profissionais da imprensa, mas também aos valores democráticos.

Não pode ser minimizada

A nota destaca que “a gravidade dessa fala não pode ser minimizada” e lembra que a frase dirigida a Miriam Leitão reproduz uma manifestação que já levou Jair Bolsonaro a ser condenado pela Justiça.

Ameaças e ultrajes

O texto acrescenta que o comportamento de Paulo Figueiredo faz parte de uma sequência de ataques à imprensa e cobra providências oficiais “imediatas e rigorosas”.

Ao final, as entidades manifestam solidariedade às profissionais citadas e reafirmam o compromisso com a defesa da liberdade de imprensa.

“Não aceitaremos que o exercício do jornalismo seja transformado em alvo de ameaças e ultrajes”, conclui o documento, que também pede a responsabilização de Paulo Figueiredo.

Sobrou para Michelle

No início do mês, Paulo Figueiredo já havia provocado desgaste na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar, durante comentários sobre Michelle Bolsonaro, que mulheres “votam mal”.

Flávio Bolsonaro — um lobo em pele de cordeiro que tenta posar de moderado — precisou se manifestar publicamente para afirmar que não concordava com as declarações do aliado.

Desculpas às putas

Diante da enorme repercussão negativa, condenada por sindicatos e entidades representativas dos jornalistas, Paulo Figueiredo publicou uma suposta nota de desculpas que, na prática, apenas reforçou as ofensas.

Como destacou a revista CartaCapital, o texto voltou a atacar jornalistas e mulheres.

Na nota, Figueiredo afirmou que suas declarações não tinham alvo específico e atribuiu a repercussão ao “baixo grau de escolaridade” de parte dos jornalistas.

Ao final, escreveu:

— Assim sendo, quero expressar aqui meus mais sinceros pedidos de desculpas às putas brasileiras que tenham se sentido ofendidas por tal comentário.

Ferrando Flávio

Mais um desgaste para a campanha do senador

E sabe quem acaba pagando a conta de tudo isso?

O próprio Flávio Bolsonaro.

As declarações de Paulo Figueiredo surgem justamente no momento em que seu aliado tenta, sem sucesso, reduzir a elevada rejeição entre o eleitorado feminino.

O episódio evidencia a enorme dificuldade do bolsonarismo para ampliar seu apoio entre as mulheres enquanto um de seus principais porta-vozes insiste em transformar a misoginia em instrumento político.

Rejeição feminina

A contradição também aparece nas pesquisas.

Levantamento do Datafolha divulgado nesta semana mostra que Flávio Bolsonaro é o pré-candidato mais rejeitado entre as mulheres.

Cinquenta por cento das eleitoras afirmam que não votariam nele de jeito nenhum no primeiro turno.

Em um eventual segundo turno, Lula abre dez pontos de vantagem entre o eleitorado feminino.


ÚLTIMA HORA

AMEAÇA AO VOTO FEMININO

A violência política contra as mulheres tem cor, rosto e lado

A violência política contra as mulheres deixou há muito tempo de atingir apenas parlamentares negras e representantes da esquerda. Hoje, também aparece, sem qualquer constrangimento, dentro da própria extrema direita.

É o que afirma o jornalista Marcelo Mena Barreto, em artigo publicado no portal Extra Classe.

Segundo ele, a violência política contra as mulheres “tem cor, rosto e lado”, atingindo principalmente mulheres negras e parlamentares de esquerda, responsáveis por grande parte dos quase 40% dos casos registrados no país.

Nos últimos meses, porém, o mesmo padrão de silenciamento e ataques passou a atingir também mulheres da direita, como Michelle Bolsonaro e Damares Alves.

“Quase simultaneamente, uma transmissão do influenciador Paulo Figueiredo desqualificou publicamente o voto das mulheres, alegando que elas ‘votam muito mal’ e deveriam seguir seus maridos”, registra o artigo.

Na avaliação de pesquisadores, a fala de Paulo Figueiredo não é um caso isolado.

Ela se soma às ofensas dirigidas por Jair Bolsonaro contra Maria do Rosário, às campanhas de desinformação contra Marielle Franco, aos deepfakes produzidos contra Tabata Amaral e às ameaças de estupro dirigidas a deputadas estaduais de São Paulo.

Em comum, todos esses episódios buscam reduzir a legitimidade da presença feminina nos espaços de poder.

E isso ocorre justamente em um país onde as mulheres representam cerca de 53% do eleitorado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.


ORGULHO

Resistência e independência: aos 93 anos, Ary Fontoura impressiona com rotina de exercícios

Ary Fontoura continua dando exemplo.

Aos 93 anos, o ator compartilhou um vídeo mostrando parte de sua rotina de treinos na academia e impressionou pela disposição.

Além de exibir excelente preparo físico, deixou uma mensagem de incentivo:

— Se eu consigo aos 93, você consegue dar o primeiro passo.

As informações são do portal Só Notícia Boa.

Publicado há três dias no Instagram, o vídeo já ultrapassou 1,4 milhão de visualizações.

Nas imagens, Ary aparece levantando pesos, treinando pernas e empurrando um carrinho de Hyrox.

Na legenda, resumiu tudo em uma única palavra:

“Independente.”


VERGONHA

O Brasil registrou 741 casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026, mantendo a alarmante média de quatro mulheres assassinadas por dia.

Embora o número represente uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, a violência de gênero continua em níveis extremamente preocupantes.

Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre janeiro e março deste ano foram registradas 399 vítimas de feminicídio.

Na prática, uma mulher foi assassinada por razões de gênero a cada 5 horas e 25 minutos no Brasil.


OUTRAS PALAVRAS

“Nenhuma mulher deve se definir apenas por um rótulo. Somos muito mais do que esperam de nós.” (Michelle Obama)
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