O Instituto Mamirauá, centro de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), passou a integrar, em maio de 2026, o Nature Index, uma das mais importantes referências internacionais para o acompanhamento da produção científica de excelência. A conquista coloca a instituição entre os principais centros brasileiros de pesquisa de alto impacto e amplia a visibilidade da ciência produzida na Amazônia.
Em sua primeira participação no ranking, o Instituto alcançou a 56ª posição entre as instituições brasileiras e a 2ª colocação entre as organizações do terceiro setor do país. O destaque foi ainda maior nas áreas de Ciências Biológicas, em que ocupou a 21ª posição, e Ciências da Terra e Ambientais, onde ficou em 8º lugar.
Segundo Rafael Rabelo, Coordenador de Pesquisa e Monitoramento do Instituto Mamirauá, a entrada no ranking representa um marco histórico para a instituição. “É a primeira vez que entramos nesse ranking de instituições com produção cinetífica de alta qualidade. É a primeira vez que figuramos entre as instituições brasileiras dentro dessas categorias e áreas do conhecimento”, destaca.
Criado para monitorar a produção científica de excelência em escala global, o Nature Index considera artigos publicados em um conjunto seleto de revistas científicas de alto impacto e ampla circulação internacional. Segundo Rabelo, o indicador não mede toda a produção acadêmica das instituições, mas especificamente as publicações científicas em revistas de alto impacto. “É um índice que quantifica não toda a produção científica, mas a produção científica de alto impacto. São artigos publicados em revistas que têm alto fator de impacto, alto alcance e grande audiência”, explica.
O desempenho obtido pelo Mamirauá reflete uma trajetória de crescimento contínuo na publicação de estudos em periódicos científicos de excelência. As melhores colocações foram registradas justamente nas áreas que compõem o núcleo de atuação da instituição: biodiversidade, ecologia, ciências da terra e meio ambiente. Esse resultado evidencia a crescente consistência do trabalho desenvolvido pelos grupos de pesquisa dedicados à compreensão dos ecossistemas amazônicos e aos desafios ambientais contemporâneos.
Para Rabelo, outro fator decisivo para o reconhecimento foi a participação do Instituto em redes de pesquisa nacionais e internacionais. Muitas das publicações consideradas pelo ranking resultam de estudos colaborativos que envolvem grandes bases de dados e análises em escalas espaciais e temporais.
“Esse estilo de pesquisa em rede que a gente vem fazendo contribuiu para que entrássemos nesse ranking. Algumas dessas publicações tiveram o Instituto como protagonista; em outras, participamos de grandes redes de pesquisa, o que também fortaleceu nossa presença científica”, afirma Rafael Rabelo.
Para uma instituição sediada no interior da Amazônia, o reconhecimento possui significado especial. Além de evidenciar a capacidade de produzir conhecimento científico de alto nível, o resultado demonstra que centros de pesquisa localizados fora dos grandes polos acadêmicos podem exercer papel de destaque na geração de conhecimento relevante para desafios globais.
A produção científica do Instituto Mamirauá também se caracteriza pela aplicação prática de seus resultados. Por meio de programas voltados ao manejo sustentável dos recursos naturais, a instituição transforma conhecimento científico em ações que contribuem para a conservação da biodiversidade e para a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas. Essa combinação entre ciência aplicada e produção acadêmica de excelência fortalece o reconhecimento conquistado pela instituição.
Uma trajetória de reconhecimento nacional e internacional
Fundado em 15 de abril de 1999 e vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá consolidou-se como uma das principais referências em pesquisa aplicada, conservação da biodiversidade e promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Com sede em Tefé (AM) e bases em Manaus (AM) e Belém (PA), a instituição atua atualmente em 36 áreas protegidas da Amazônia, desenvolvendo mais de 200 projetos de pesquisa e extensão voltados à melhoria da qualidade de vida de populações ribeirinhas e povos indígenas.
Ao longo de quase três décadas de atuação, o Instituto Mamirauá conquistou reconhecimento nacional e internacional por suas contribuições à ciência, à conservação ambiental e à inovação social. Entre as principais distinções recebidas estão o Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente (2001), o Prêmio Unesco para Pesquisa e Conservação (2003), o Prêmio Finep de Inovação (2012), o Prêmio Nacional da Biodiversidade (2015), o Energy Globe National Award (2015) e o Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica (2018). A instituição também recebeu reconhecimento da Convenção Ramsar da ONU, certificações da Fundação Banco do Brasil em Tecnologias Sociais e integrou a lista das 100 Melhores ONGs do Brasil.
Originado das pesquisas pioneiras do cientista José Márcio Ayres, que contribuíram para a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a primeira do gênero no Brasil, o Instituto tornou-se referência na integração entre ciência e saberes tradicionais. Iniciativas como o manejo sustentável do pirarucu, reconhecido mundialmente como exemplo de conservação associada à geração de renda e segurança alimentar, ilustram o impacto de seu trabalho. Além disso, o Mamirauá investe continuamente na formação de recursos humanos, incentivando a participação de jovens, mulheres e populações indígenas na ciência e fortalecendo sua missão de produzir conhecimento e soluções para a Amazônia.